Grupo oferece aporte condicionado para liberar garantias na Caixa, pagar R$ 33 milhões ao Santos Laguna e iniciar mudança estatutária mediante assinatura de memorando
Três idealizadores da proposta, Carlos Teixeira, Eduardo Salusse e Maurício Chamati, enviaram uma carta à diretoria do clube com compromissos claros de pagamento, caso o Corinthians assine um memorando que autorize a captação de investidores pela iniciativa.
O documento promete a quitação de uma dívida específica de R$ 33 milhões relacionada à compra de Félix Torres, e vincula a resolução da pendência com a Caixa Econômica a auditoria e aprovações internas, segundo os autores.
O projeto, que prevê uma SAF controlada por torcedores, foi apresentado oficialmente em 29 de outubro de 2025, e segue em análise após questionamentos do compliance do clube, conforme informação divulgada pelo O Liberal.
Como a proposta promete quitar a Arena e o transfer ban
Na carta endereçada ao presidente Osmar Stábile, os proponentes se comprometem explicitamente com a quitação da dívida de R$ 33 milhões com o Santos Laguna pela compra de Félix Torres, valor apontado como causa direta do transfer ban que pesa sobre o clube.
Quanto à dívida da Arena Corinthians com a Caixa, estimada em aproximadamente R$ 650 milhões, os idealizadores condicionam a solução à realização de auditoria e às aprovações internas cabíveis, com a intenção de liberar garantias e permitir a retomada das operações do clube.
O texto inclui ainda a passagem do item 4.2 da carta, que explicita o compromisso de aporte condicionado, e que diz, literalmente, “Após a assinatura da proposta, da conclusão de auditoria sem riscos obstrutivos, da aprovação da SAFiel pelos órgãos competentes do SCCP, porém, antes mesmo da oferta pública de ações para captação dos recursos necessários à efetiva implementação do projeto SAFiel, será feito aporte, a título de antecipação condicionada, do valor necessário à quitação das pendências financeiras relativas à Arena Corinthians junto à Caixa Econômica Federal, com a liberação das garantias, o que permitirá a retomada das operações do SCCP e a constituição da SAFiel, sem qualquer impedimento de ordem contratual”, diz o item 4.2 da carta.
O que é a SAFiel e como funcionaria a Invasão Fiel
A proposta conhecida como SAFiel prevê que a nova SAF do clube não seja controlada por um único investidor, mas por torcedores organizados em uma holding chamada Invasão Fiel. Essa holding reuniria cotas em faixas distintas de aporte, e seria a acionista controladora da SAF.
O modelo manteria o clube associativo como detentor de parte das ações, recebendo participação proporcional aos ativos que aportasse no novo desenho, descontadas as dívidas. A intenção é pulverizar o capital, permitindo compra de ações com conta bancária comum, sem exigir conta em corretora.
Governança, estrutura executiva e categorias de ações
O desenho de governança prevê quatro órgãos principais, entre eles um Conselho de Administração e um Conselho Fiscal com maioria de membros independentes e remunerados, além de um Conselho Cultural e um Comitê de Governança.
Na execução, a SAFiel aponta para um CEO com autonomia e metas, e diretores de futebol, finanças, marketing e compliance contratados no mercado. As ações seriam divididas em três categorias, voltadas para públicos distintos, do torcedor de baixa renda a investidores profissionais com aportes acima de R$ 1 milhão.
Próximos passos, condicionantes e impactos para o Corinthians
Assinar o memorando não equivaleria à aprovação imediata da SAFiel pelo clube, mas seria uma autorização para avançar nas etapas de captação e nas mudanças estatutárias necessárias para implementar o modelo, que hoje é incompatível com o estatuto do Corinthians.
O cumprimento dos compromissos anunciados depende, segundo o documento, de auditoria sem riscos obstrutivos e de aprovações internas, etapas que podem levar tempo e gerar novo questionamento do setor de compliance do clube.
Se concretizada, a proposta pode permitir a quitação de pendências que travam operações e transferências, e abrir caminho para uma SAF com caráter participativo e capital pulverizado, com impacto direto na gestão financeira e esportiva do Corinthians.
