Com foco em organização fiscal, análise de contratos e prevenção de riscos, o Paysandu aposta no Departamento Jurídico para desbloquear receitas e melhorar a imagem
O clube inicia 2026 com um amplo processo de reestruturação administrativa, buscando fechar feridas abertas após um ano de crises e queda de rendimento.
O setor jurídico passou a atuar de forma integrada ao futebol, acompanhando contratos desde a negociação inicial, para reduzir riscos e evitar futuras controvérsias.
Todas essas ações, segundo a reportagem, já contam com medidas como adesão ao Prorefis e busca por certidões negativas, conforme informação divulgada pelo Jornal Amazônia.
Regularização fiscal e impacto nas receitas
Um dos passos mais destacados foi a adesão ao Programa de Regularização Fiscal do Pará, o Prorefis, da Sefa, o que permitiu parcelar débitos estaduais e ganhar fôlego financeiro.
Na avaliação do diretor jurídico Bruno Castro, “Os projetos chegam com mais facilidade aos clubes que estão devidamente organizados. Sem as certidões, por exemplo, o Paysandu não teria recebido os valores da Copa Verde“, frase usada para justificar a busca por certidões negativas.
Ter certidões em dia abre portas para parcerias maiores, e a estratégia do jurídico visa exatamente tornar o Paysandu mais atraente no mercado de patrocínios.
Negociações com atletas e redução de processos
O departamento atua diretamente nas tratativas de contratação, sem poder de veto, mas orientando sobre cláusulas e riscos, com o objetivo de prevenir litígios futuros.
Segundo o jurídico, houve esforço para renegociar dívidas com atletas da temporada 2025, e, nas palavras de Igor Cardoso, “Em relação ao pagamento de parcelas, firmamos acordos com 90% ou mais dos atletas que estavam no clube em 2025. Eu mesmo participei das negociações e revisei os acordos de trabalho, inclusive os relacionados a direitos de imagem. Conseguimos abatimentos e chegamos a valores mais adequados para o clube. A grande maioria está sendo paga, e as demais serão quitadas dentro das condições que o Paysandu pode cumprir“.
O resultado já aparece em campo disciplinar, com menos punições como perdas de mando e multas no STJD, o que reforça a importância do trabalho preventivo.
Passivos, multas antigas e gestão de crises
Apesar das ações de contenção, o clube ainda enfrenta um volume expressivo de demandas judiciais. As cobranças somadas de jogadores que atuaram em 2025 chegam a R$ 14.026.518,26, e com a multa judicial de R$ 1,5 milhão o montante discutido atinge R$ 15.526.518,26, valores que correspondem a pedidos em processos em tramitação, e não a condenações definitivas.
O advogado Andrey Damasceno rebate alarmes exagerados e afirma, “Temos várias ações trabalhistas em andamento, mas que não geram preocupação imediata, porque ainda haverá audiências, contestações e recursos. Se alguém pede cinco milhões, isso não significa que vá receber esse valor. Cada um pede o que entende. O passivo trabalhista não é de 15 milhões, como se comenta“.
Uma parte relevante do passivo decorre de um acordo antigo, que gerou multa por descumprimento, e o departamento entende que decisões do passado afetam o presente, exigindo cautela nas respostas.
Casos pontuais e mudança de cultura
Sobre processos envolvendo nomes conhecidos, a postura do jurídico é técnica. O advogado Matheus Casemiro detalhou, “O caso do Hélio dos Anjos é trabalhista, e o do Yago Pikachu é cível. A ação do Hélio está atualmente em segundo grau, em fase recursal, e ainda pode seguir para Brasília. É um processo que, neste momento, não nos preocupa, porque um recurso pode levar pelo menos um ano para ser analisado. Quanto ao Yago Pikachu, o processo corre sob sigilo de Justiça. Por isso, não podemos fazer comentários mais aprofundados. Trabalhamos em um pedido de retirada do sigilo para que os fatos fiquem claros. Uma coisa é certa: o Pikachu não deve ao Paysandu, e o Paysandu não deve ao Pikachu“.
O departamento também busca romper com práticas antigas, como a antecipação recorrente de receitas, uma política que, segundo a direção, vicia a gestão e está sendo evitada.
Para o Paysandu, a nova postura jurídica já tem efeito no mercado, com maior credibilidade e diálogo mais claro, e serve como base para reconstruir finanças e atrair parceiros no médio prazo.
