Crise no Irã: Sobe para mais de 2.500 o número de mortos em protestos, com milhares de presos e repressão intensificada
O número de mortos nos protestos contra o regime do Irã atingiu a marca alarmante de pelo menos 2.571 pessoas, de acordo com um levantamento divulgado pela Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA). A organização, composta por iranianos no exílio e sediada nos Estados Unidos, aponta que a vasta maioria das vítimas eram manifestantes, totalizando 2.403 óbitos.
O relatório mais recente, publicado nesta terça-feira, também revela que entre as vítimas fatais estão pelo menos 12 crianças e nove civis que não participavam diretamente das manifestações. A repressão do regime iraniano se intensifica, e o número de pessoas detidas já ultrapassa a impressionante marca de 18.100 indivíduos.
Esses números representam um aumento significativo em relação a balanços anteriores e superam amplamente qualquer outra onda de manifestações no país nas últimas décadas, remetendo ao nível de violência observado durante a Revolução Islâmica de 1979. A crise econômica, marcada pela inflação e desvalorização da moeda, agrava o cenário de instabilidade.
Balanço chocante e comparações alarmantes
Skylar Thompson, representante da HDRANA, classificou os números como “chocantes” em entrevista à Associated Press. Ele destacou que, em apenas duas semanas, o total de vítimas já é quatro vezes maior do que o registrado nos protestos de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia da moralidade. Thompson ressaltou que a HDRANA considera o balanço conservador.
Teerã reconhece “muitos mártires” em meio a bloqueios de internet
Pela primeira vez, a televisão estatal iraniana reconheceu um elevado número de mortes, afirmando que houve “muitos mártires” nos confrontos. Um comunicado lido por um apresentador atribuiu as mortes a “grupos armados e terroristas”, sem divulgar dados oficiais. Veículos estatais também informaram sobre a morte de 121 integrantes das forças militares, policiais e de segurança, segundo dados atribuídos à organização Human Rights Iran.
A verificação independente dos acontecimentos no Irã tornou-se ainda mais difícil devido ao bloqueio generalizado da internet. No entanto, moradores conseguiram retomar chamadas internacionais. A Human Rights Iran estima que o número real de vítimas da repressão possa chegar a até 12 mil pessoas.
Protestos e a crise econômica como pano de fundo
As manifestações tiveram início em 28 de dezembro, em Teerã, impulsionadas inicialmente por comerciantes e setores econômicos afetados pela desvalorização do rial e pela inflação elevada. A inflação anual no país supera 42%, e a moeda iraniana perdeu cerca de 69% de seu valor frente ao dólar no último ano. O cenário econômico é agravado pelas sanções internacionais relacionadas ao programa nuclear iraniano.
Repressão intensificada e classificações de terrorismo
As autoridades iranianas, que inicialmente reagiram de forma mais moderada, passaram a adotar uma postura cada vez mais dura. Com o avanço da repressão, os manifestantes passaram a ser classificados como terroristas ligados aos Estados Unidos e a Israel, e surgiram relatos de condenações à morte de pessoas detidas durante os protestos, evidenciando a gravidade da situação.
