CBF afirma que a presença do observador Péricles Bassols na cabine do VAR foi de orientação sobre o procedimento, sem configurar interferência externa VAR, e esclarece os fatos
A participação de Péricles Bassols na revisão do VAR que levou à expulsão de Carrascal, do Flamengo, antes do reinício da partida contra o Corinthians, gerou questionamentos sobre possível interferência externa VAR.
A Confederação Brasileira de Futebol, porém, explicou que a atitude de Bassols estava prevista para a função de observador do VAR e que ele atuou apenas para reforçar procedimentos, sem indicar a decisão a ser tomada pelo árbitro de campo.
O episódio envolve também queda de energia no estádio e o momento em que a checagem foi concluída, o que motivou perguntas sobre a condução do processo pelo VAR, conforme informação divulgada pela CBF.
O que aconteceu durante a partida
No fim do primeiro tempo, Carrascal agrediu Breno Bidon em um lance que não foi percebido pelo árbitro de campo, Rafael Klein, e o intervalo teve início normalmente.
A verificação do VAR foi concluída enquanto os jogadores já estavam no vestiário, porque a imagem do lance só foi detectada durante o intervalo, procedimento que, segundo a CBF, está amparado pelo Livro de Regras do Jogo.
No momento da revisão, o árbitro de vídeo, Rodolpho Toski Marques, explicou à equipe de campo, “Eu vou te mostrar o ponto de contato, Klein, e depois em velocidade em 30%, você vai ver a mão fechada, fora da disputa de bola, uma conduta violenta atingindo o queixo do adversário”.
O árbitro de campo respondeu, “Ok. Eu vejo o jogador fora da disputa da bola fazendo o movimento de soco, com a mão fechada, em direção a uma parte sensível do seu adversário, que é o rosto. A minha decisão é cartão vermelho para o número 15 (Carrascal) por conduta violenta, ok?”.
Como a CBF justificou a presença de Bassols
A CBF disse que, segundo o protocolo, o observador do VAR não pode “estar envolvido em qualquer tomada de decisões, com a exceção de impedir uma infração do protocolo”.
A entidade explicou ainda que Bassols “limitou-se a reforçar que o procedimento adotado estava em conformidade com as diretrizes do VAR, sem qualquer recomendação sobre a decisão a ser tomada pelo árbitro”.
Em nota, a CBF afirmou, “Ressalte-se que orientar sobre o procedimento é da natureza da função do Observador de VAR, e não configura interferência externa”. A defesa da entidade destacou que essa orientação tem caráter técnico, sobre o fluxo de trabalho, e não sobre o conteúdo da decisão disciplinar.
Protocolo, revisão e o tempo da checagem
O protocolo permite que casos de conduta violenta sejam revisados a qualquer momento da partida, inclusive após o reinício, e no lance em questão a imagem que evidenciou a infração só apareceu durante o intervalo.
Além disso, foi registrado um problema de energia no estádio durante o intervalo. A CBF informou que “o sistema de contingência (no-break) manteve a operação do VAR por aproximadamente 15 minutos”.
Como a energia não foi restabelecida prontamente, a partida transcorreu sem o uso do VAR entre os 15 e os 34 minutos do segundo tempo, conforme comunicado da entidade.
Consequências na partida e no debate sobre o VAR
Apesar do episódio com o VAR, o jogo seguiu e o Corinthians venceu por 2 a 0, com gols de Gabriel Paulista e Yuri Alberto, este último nos acréscimos.
O caso reacendeu o debate sobre a função do observador do VAR, a possibilidade de orientação técnica na cabine e os limites entre suporte operacional e possível interferência externa VAR, tema que a CBF procurou esclarecer com as citações ao protocolo e às ações de Bassols.
