Irã sinaliza disposição para diálogo com EUA sobre programa nuclear, Turquia pode sediar encontro
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, instruiu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, a buscar negociações “justas e equitativas” com os Estados Unidos. A condição imposta é que o ambiente para o diálogo seja livre de ameaças e exigências consideradas excessivas, visando sempre os interesses nacionais do Irã.
Esta abertura ocorre após pedidos de aliados regionais para que Teerã responda a propostas de retomada de negociações. A publicação da mensagem em inglês e farsi nas redes sociais sinaliza um possível avanço diplomático na tensa relação entre os dois países.
Segundo informações divulgadas pelo portal Axios, um encontro entre Araghchi e o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, está previsto para esta sexta-feira em Istambul, na Turquia. A reunião poderá contar com a participação de ministros das Relações Exteriores de diversos países da região, como Turquia, Catar, Egito, Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão.
Possível acordo nuclear e a disposição iraniana
O portal The New York Times reportou que o Irã estaria considerando a possibilidade de encerrar ou suspender seu programa nuclear como forma de reduzir as tensões com os Estados Unidos. Autoridades iranianas, contudo, reiteram que o programa possui fins pacíficos, voltados à geração de energia, e negam a intenção de desenvolver armas atômicas.
A reportagem do jornal americano sugere que Teerã pode defender a criação de um consórcio regional para a produção de energia nuclear, uma proposta já apresentada pelos Estados Unidos. Como alternativa para aliviar as tensões diplomáticas, o Irã também avalia uma suspensão temporária de suas atividades nucleares.
Histórico de negociações e sanções
Este potencial encontro seria o primeiro contato direto entre representantes de Washington e Teerã desde junho do ano passado, quando as negociações foram interrompidas. Anteriormente, em 2018, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear de 2015 e restabeleceu sanções contra o Irã, aumentando a pressão sobre o país persa.
Em janeiro, Trump intensificou as ameaças, enviando uma frota naval ao Golfo Pérsico e alertando sobre possíveis ações militares caso um acordo não fosse alcançado. A possibilidade de envio de urânio enriquecido para a Rússia, discutida recentemente com o presidente Vladimir Putin, remete a uma medida semelhante adotada em 2015, que visava limitar as atividades nucleares iranianas em troca do alívio de sanções.
Contexto regional e próximos passos
A reunião em Istambul, caso confirmada, representa um passo significativo para a busca de uma solução diplomática. A participação de diversos países do Oriente Médio pode facilitar um entendimento mútuo e contribuir para a estabilidade regional, em um momento de crescentes preocupações com o programa nuclear iraniano.
A expectativa é que as discussões abordem não apenas o programa nuclear, mas também as complexas relações geopolíticas na região. O sucesso dessas negociações pode ter implicações importantes para a segurança e a economia global, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de energia.
