Mitos sobre o câncer: saiba o que é verdade e o que pode atrapalhar seu tratamento
A jornada contra o câncer é complexa e, muitas vezes, cercada de informações desencontradas. Enquanto a medicina avança, crenças populares ainda persistem, podendo influenciar diretamente a forma como pacientes lidam com a doença e seu tratamento. Especialistas alertam que desmistificar essas ideias é fundamental para otimizar os resultados e melhorar a qualidade de vida.
Estudos recentes reforçam a importância do chamado “microambiente tumoral”, um ecossistema formado por células, metabolismo e sistema imunológico, que é diretamente influenciado por nossos hábitos diários. Isso significa que alimentação, sono, atividade física e controle do estresse, mesmo após o diagnóstico, desempenham um papel crucial. Conforme informação divulgada pelo Hospital Sírio-Libanês, desmistificar essas crenças é um passo essencial para um tratamento mais eficaz.
Neste artigo, exploraremos cinco crenças comuns sobre o câncer que, na verdade, podem ser prejudiciais. Ao desvendarmos esses mitos, você poderá tomar decisões mais informadas e assertivas durante todo o processo de tratamento e recuperação, focando no que realmente faz a diferença.
1. “Açúcar alimenta o câncer” e a Restrição Alimentar Excessiva
A ideia de que o açúcar é o principal vilão e deve ser completamente eliminado da dieta de pacientes com câncer é um mito persistente. A nutricionista Thais Giovaninni, do Hospital Sírio-Libanês, explica que, na verdade, todas as células do corpo necessitam de glicose para funcionar. O problema reside no consumo excessivo, especialmente de açúcares adicionados, e não na presença natural de glicose nos alimentos.
O foco, segundo a especialista, deve ser em um **padrão alimentar saudável e equilibrado**, rico em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, gorduras boas e proteínas adequadas. Uma dieta personalizada, com orientação profissional, é mais eficaz para criar um ambiente menos inflamatório e propício à recuperação. Dietas muito restritivas podem levar à perda de massa muscular e aumentar o risco de efeitos colaterais, comprometendo a tolerância ao tratamento.
2. “Estou doente, preciso ficar em repouso absoluto”
O receio de “forçar demais” durante tratamentos como quimioterapia e radioterapia leva muitos pacientes a optarem pelo repouso total, mesmo sem nunca terem praticado exercícios. Contudo, a medicina moderna comprova que a **atividade física orientada é segura e benéfica**. Ela contribui para uma melhor resposta ao tratamento e pode até reduzir o risco de recidiva do câncer.
A médica fisiatra Isabel Chateaubriand Diniz Salles, do Hospital Sírio-Libanês, destaca que começar a se exercitar após o diagnóstico é totalmente possível e faz parte do tratamento. O movimento ajuda a diminuir a inflamação crônica, melhora a resposta imunológica e a saúde mental. Iniciativas simples, como caminhadas de dez minutos diários, progredindo gradualmente, podem transformar a relação do paciente com a doença.
3. “Sou forte, não preciso de ajuda” ou “Não quero incomodar”
Ignorar o sofrimento emocional, como medo e ansiedade, pode ser prejudicial. O estresse crônico mantém o corpo em alerta, o que pode afetar o sono, aumentar a fadiga e a dor, e dificultar a adesão ao tratamento. A psicóloga Patrícia Seta, do Hospital Sírio-Libanês, ressalta que reconhecer e cuidar da saúde mental é fundamental.
Sentimentos como medo, tristeza e insegurança são reações normais e não indicam fraqueza. Buscar apoio psicológico não elimina o medo, mas **reduz o sofrimento**, melhora a qualidade de vida e auxilia o paciente a atravessar a jornada com mais resiliência e sentido. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo durante o tratamento do câncer.
4. “Vacinas causam doenças, inclusive câncer”
A ciência já demonstrou que uma parcela significativa de cânceres está associada a infecções preveníveis por vacinação, como o HPV e a hepatite B. A vacina contra o HPV, por exemplo, pode prevenir até 90% dos casos de câncer do colo do útero e reduzir outros tipos de tumores. Já a vacina contra a hepatite B tem impacto comprovado na diminuição do câncer de fígado.
O oncologista Dr. Guilherme Harada, do Hospital Sírio-Libanês, reforça que **vacinas são estratégias de prevenção do câncer**. Para pacientes em tratamento oncológico, manter a vacinação em dia é crucial para evitar complicações por infecções comuns, como gripe e pneumonia, que podem levar à interrupção do tratamento. Vacinas como a da gripe e da COVID-19 são geralmente recomendadas, após avaliação individualizada.
5. “Já tenho câncer, não adianta parar de fumar ou reduzir o álcool”
Abandonar hábitos como fumar e consumir álcool, mesmo após o diagnóstico de câncer, faz uma diferença substancial. O tabaco é o principal fator de risco para diversos tipos de câncer, enquanto o álcool está associado a centenas de milhares de novos casos anualmente.
Dr. Guilherme Harada explica que a interrupção desses hábitos **melhora a resposta ao tratamento**, reduz complicações, diminui o risco de novos tumores e impacta positivamente a sobrevida. Não existe consumo seguro de cigarro ou álcool do ponto de vista oncológico, e qualquer redução já traz benefícios, mas a cessação total é o cenário ideal para o paciente, independentemente de estar em tratamento ou não.
