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10. março 2026

Fim da torcida única em SP, projeto propõe jogos-teste com até 10% de visitantes, reconhecimento facial e controle por sócios para retomar torcidas em clássicos

Proposta prevê testes controlados em estádios com tecnologia, rotas logísticas separadas e identificação prévia de torcedores visitantes, para avaliar retorno seguro das torcidas adversárias

Um projeto que propõe o fim gradativo da torcida única em São Paulo sugere a realização de jogos-teste para permitir visitantes, com participação controlada e critérios de segurança.

A proposta, assinada pelo advogado Renan Bohus da Costa, ligado à Associação Nacional das Torcidas Organizadas, prevê limites iniciais de público visitante e uso de reconhecimento facial em arenas que já dispõem da tecnologia.

O documento será entregue à Polícia Militar, ao Ministério Público e à Federação Paulista de Futebol, conforme informação divulgada pelo Estadão.

Origem da torcida única e contexto atual

A torcida única foi determinada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo em 2016, após confrontos antes e depois do clássico entre Palmeiras e Corinthians que deixaram um morto e dezenas de feridos.

Desde então, a medida passou a valer para os clássicos dos quatro grandes, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, e para o Dérbi Campineiro, entre Guarani e Ponte Preta.

O que propõe o projeto e como seriam os jogos-teste

O documento, ao qual o Estadão teve acesso, detalha que os jogos-teste permitiriam visitantes correspondendo inicialmente a até 10% da capacidade do estádio, com ingressos prioritários para sócios e membros cadastrados de torcidas organizadas, mediante identificação prévia.

Segundo a proposta, o setor visitante e o mandante seriam previamente delimitados e articulados com rotas logísticas seguras, e os testes ocorreriam apenas em estádios que contam com tecnologia de reconhecimento facial, obrigatória em arenas com mais de 20 mil lugares desde junho de 2025, conforme a Lei Geral do Esporte.

O documento ainda destaca que os ingressos do setor visitante seriam controlados, com prioridade para sócios e membros cadastrados, permitindo rastreabilidade e responsabilização individual em caso de ilícitos.

Argumentos, estatísticas e citações do projeto

O principal argumento do projeto é que a torcida única não eliminou a violência, apenas a deslocou para o espaço urbano, longe dos estádios, segundo o texto.

O documento traz a seguinte informação, de forma literal: “No período anterior à medida, cerca de 39,3% dos clássicos apresentavam registros de episódios de violência associados às partidas (em São Paulo). Após a implantação da política, esse percentual caiu para aproximadamente 10,7%, quando considerados exclusivamente os registros ocorridos dentro dos estádios ou em seu entorno imediato. Esse dado, isoladamente, poderia indicar êxito da medida. Contudo, o próprio estudo (que apresenta o dado) ressalta que tal redução não reflete a totalidade do fenômeno, pois os critérios de análise passam a excluir ocorrências verificadas fora do perímetro do evento esportivo”.

O projeto também cita que os testes são “Número compatível com padrões internacionais de segurança e suficiente para avaliação técnica dos impactos operacionais, sociais e de segurança pública”, e defende que “A lógica deixa de ser a punição coletiva e passa a ser a identificação e responsabilização individual de quem efetivamente pratica ilícito”.

Riscos, precedentes e reações da Justiça e segurança

A iniciativa entra em contradição com decisões e debates recentes do Judiciário e da segurança pública, intensificados após episódios graves, como a emboscada em Mairiporã no fim de 2024, que resultou na morte de um torcedor do Cruzeiro.

Na esteira desse caso, o Juizado Especial de Defesa do Torcedor do Tribunal de Justiça de São Paulo discutiu estender a torcida única para clássicos nacionais envolvendo o Palmeiras, como Palmeiras x Flamengo e Palmeiras x Cruzeiro, quando o alviverde for mandante na capital.

O projeto argumenta que o Estado de São Paulo tem capacidade técnica para gerenciar jogos com visitantes, citando a atuação da Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva e do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar, e aponta exemplos de eventos com divisão de torcidas sem incidentes, como edições recentes da Supercopa Rei.

O documento será formalmente apresentado a PM, MP e à Federação Paulista, abrindo caminho para debates técnicos e jurídicos sobre um possível retorno gradual dos visitantes aos clássicos, mantendo foco em segurança, identificação e responsabilização individual, e preservando o direito de torcer como manifestação cultural.

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