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10. março 2026

PF não consegue ver vídeos da Operação Contenção e aciona STF: 945 arquivos em nuvem impedem perícia e levantam suspeitas após 122 mortes no Comando Vermelho

PF aponta falha na disponibilização de vídeos da Operação Contenção e busca acesso via STF, gerando preocupação sobre investigação de 122 mortes.

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não obteve sucesso na perícia dos vídeos referentes à Operação Contenção. A corporação relatou que os 945 arquivos disponibilizados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, em formato apenas de nuvem, tornaram a análise pericial inviável.

Este impasse surge em um contexto de alta letalidade, já que a Operação Contenção, deflagrada em outubro de 2025 contra o Comando Vermelho, resultou na morte de 122 pessoas. A operação, que ocorreu nos Complexos da Penha e do Alemão, foi marcada por denúncias de execuções.

O pedido por esses vídeos partiu do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, como parte da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como ADPF das Favelas. O objetivo era estabelecer limites para a atuação policial em comunidades, visando reduzir a letalidade.

STF havia determinado preservação de cenas de crime e uso de câmeras corporais pela Polícia Civil.

A ADPF das Favelas determinou medidas como a **obrigatória preservação de cenas de crimes**, especialmente mortes, e a instalação de câmeras em viaturas. O uso de câmeras corporais por policiais civis já era uma exigência.

No entanto, a Polícia Civil do Rio de Janeiro disponibilizou apenas o acesso para reprodução direta dos 945 vídeos. Essa limitação impediu o download e a extração dos arquivos para análise técnica e perícia, conforme descrito pelo diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, em ofício enviado ao STF.

Murad solicitou explicitamente o acesso ao material em **mídia física**, argumentando que o acesso apenas para visualização direta inviabiliza a preservação e análise adequada das provas.

Falhas técnicas e baixa adesão de câmeras corporais são apontadas pela Polícia Civil.

A Polícia Civil admitiu que **menos da metade dos agentes utilizou as câmeras corporais** durante a Operação Contenção. A justificativa apresentada foram falhas técnicas nos equipamentos, o que levanta novas questões sobre a coleta de evidências.

Acredita-se que entre o material solicitado pelo STF estejam registros audiovisuais das necropsias, atendendo a um pedido da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. A corporação, contudo, não comentou o ofício da Polícia Federal nem informou quando o material será disponibilizado integralmente.

Investigação da ADPF das Favelas aponta para possíveis irregularidades e ocultação de provas.

Após a operação, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União questionaram o cumprimento das regras estabelecidas pela ADPF. As denúncias ganharam força com a acusação de seis policiais por crimes como peculato e roubo.

Investigações preliminares indicam que policiais teriam arrombado casas, invadido imóveis sem autorização e constrangido moradores. A análise de imagens de câmeras corporais já teria identificado o roubo de um celular e de um fuzil, além de **tentativas de ocultar ou obstruir as câmeras** das fardas, o que é expressamente proibido.

A dificuldade da Polícia Federal em acessar e periciar os vídeos da Operação Contenção, apesar das determinações do STF, aumenta a pressão por transparência e rigor nas investigações sobre a alta letalidade em operações policiais no Rio de Janeiro.

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