Estudo da USP Alerta: 11 Erros Cotidianos Aumentam o Risco de Infecções Alimentares em Casa
Lavar o frango antes de cozinhar, descongelar carnes em temperatura ambiente e secar as mãos no pano de prato são apenas alguns dos hábitos que, segundo uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), elevam significativamente o risco de doenças transmitidas por alimentos (DTAs). A investigação, publicada no periódico científico Food and Humanity, analisou os comportamentos de 5 mil brasileiros em relação à compra, armazenamento e manipulação de alimentos.
Os resultados revelam um cenário preocupante, com falhas que podem ter consequências sérias para a saúde. As DTAs afetam milhões de pessoas globalmente, sendo as gastroenterites os distúrbios mais comuns, caracterizados por vômitos, diarreia e dores. Em casos mais graves, podem levar à desidratação, especialmente perigosa para crianças e idosos.
O estudo da USP destaca que a maioria desses problemas tem origem dentro de casa, contrariando a crença popular de que restaurantes e padarias são os principais focos. A nutricionista Larissa Maciel, do Hospital Estadual de Urgências de Goiás, reforça que a falta de higiene e o manuseio inadequado dos alimentos são os grandes vilões. Conheça agora 11 estratégias simples, mas cruciais, para evitar infecções alimentares e proteger sua família.
Compras Seguras: Comece Evitando Riscos no Supermercado
A jornada para alimentos seguros começa antes mesmo de sair de casa. Levar uma bolsa térmica ao supermercado é fundamental, pois 81% das pessoas não utilizam esse acessório para transportar produtos refrigerados ou congelados. Em dias quentes, o trajeto pode se tornar um ambiente propício para a multiplicação de micro-organismos nocivos se os alimentos não forem mantidos na temperatura correta.
Ao escolher produtos congelados, é essencial observar não apenas as condições dos freezers, mas também a integridade da embalagem. A presença de excesso de cristais de gelo pode indicar que o produto passou por ciclos de descongelamento e recongelamento, um processo que compromete a segurança alimentar e favorece a proliferação microbiana.
Higiene em Casa: Mãos Limpas e Utensílios Adequados
A lavagem correta das mãos antes de preparar refeições é o primeiro passo para evitar a contaminação cruzada. A pesquisa aponta que apenas 38% dos participantes higienizam adequadamente os vegetais. É crucial lavar as mãos com água corrente e sabão, prestando atenção a todas as partes, incluindo o dorso, entre os dedos, unhas e pulsos, especialmente após ir ao banheiro, manusear o lixo ou alimentos crus de origem animal.
O pano de prato, utilizado por mais de 50% dos entrevistados para secar as mãos, é um grande disseminador de bactérias como a Escherichia coli. Recomenda-se lavá-los e trocá-los com frequência, optando por tecidos que sequem rapidamente. A contaminação cruzada pode ocorrer facilmente se utensílios e superfícies não forem devidamente higienizados.
Um dos hábitos mais perigosos apontados pelo estudo é lavar carnes, especialmente aves, na pia. Cerca de 46% dos participantes têm essa prática, o que espalha micro-organismos por toda a cozinha. A água não elimina as bactérias, sendo o calor o método mais eficaz. Portanto, carnes devem ir direto para o cozimento.
Para as tábuas de corte, a recomendação é ter modelos separados para carnes e vegetais, idealmente de plástico e trocadas ao apresentar sinais de desgaste. Tábuas de madeira não são recomendadas devido à sua porosidade, que facilita o acúmulo de bactérias. A higienização adequada é fundamental para evitar a contaminação cruzada.
Preparo e Armazenamento Corretos: Detalhes que Fazem a Diferença
A higienização de frutas e hortaliças exige atenção especial. O uso de vinagre, praticado por 18% das pessoas, não é eficaz para eliminar micro-organismos. O ideal é lavar os vegetais um a um em água corrente, deixar de molho por 10 a 15 minutos em uma solução de água sanitária (1 colher de sopa para 1 litro de água) e, em seguida, enxaguar bem. Secar os alimentos após a lavagem é crucial, pois a umidade favorece o crescimento de fungos.
O descongelamento de carnes deve ocorrer na geladeira, preferencialmente na prateleira inferior e em um recipiente para evitar vazamentos, longe de vegetais. Descongelar em temperatura ambiente acelera a multiplicação microbiana, aumentando o risco de infecções alimentares. Assim, evite descongelar carnes fora da refrigeração.
É importante lembrar que não se deve congelar alimentos que já foram descongelados. Embora o congelamento retarde a deterioração, o descongelamento permite que os micróbios se multipliquem. Se precisar descongelar rapidamente, o micro-ondas pode ser uma alternativa, mas o alimento deve ser consumido logo em seguida.
A organização da geladeira também é um fator importante. Alimentos perecíveis como leite e iogurte devem ficar na primeira prateleira, sobras na segunda, frutas e hortaliças na gaveta, e temperos e bebidas na porta. Evite sobrecarregar a geladeira para garantir a circulação de ar adequada e manter a temperatura uniforme.
Por fim, evitar demorar para guardar a comida pronta é essencial. Alimentos deixados fora da geladeira, especialmente na faixa de temperatura de 5°C a 60°C, multiplicam rapidamente bactérias como Clostridium perfringens e Bacillus cereus. O ideal é refrigerar ou congelar as sobras em até duas horas após o preparo, pois os esporos bacterianos podem sobreviver ao cozimento e se proliferar se as condições forem favoráveis.
