Trump critica aliados europeus e descarta ação no Estreito de Ormuz, cobrando apoio em meio à guerra com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra aliados europeus, exigindo que estes assumam maior responsabilidade pelo abastecimento de petróleo e pela segurança marítima. Em meio ao conflito com o Irã, que resultou no bloqueio do Estreito de Ormuz, Trump criticou veementemente países como o Reino Unido e a França por sua relutância em apoiar ações militares e descartou a intervenção americana para reabrir a vital rota de comércio.
O líder americano utilizou as redes sociais para expressar sua frustração, sugerindo que as nações dependentes do petróleo deveriam buscar suas próprias fontes ou, mais diretamente, intervir para garantir o acesso ao Estreito de Ormuz. Essas declarações ocorrem em um momento de crescentes tensões globais, com o Irã bloqueando a passagem desde o final de fevereiro, o que já impactou os preços internacionais de energia.
Conforme divulgado pelo Lusa, Trump direcionou críticas específicas ao Reino Unido por ter se recusado a participar de operações contra o Irã, aconselhando o país a comprar petróleo dos EUA ou a “tomar” o estreito. Ele também mencionou a França, classificando-a como “pouco prestativa” por supostamente impedir o sobrevoo de aeronaves militares francesas com destino a Israel. A Casa Branca, em conversas com jornalistas, reforçou a posição de que a responsabilidade pela reabertura do estreito não recai sobre os Estados Unidos, mas sim sobre as nações que utilizam essa passagem estratégica.
Aliados Europeus Divididos e Críticas Diretas de Trump
O presidente Donald Trump não poupou críticas a países europeus que, segundo ele, não estão oferecendo o suporte necessário em relação ao conflito com o Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz. Em suas postagens nas redes sociais, Trump incentivou outras nações a “irem buscar o seu próprio petróleo!” e a “começarem a aprender a lutar por si próprias”.
O Reino Unido foi um dos alvos principais. Trump sugeriu que, caso o país enfrente dificuldades de abastecimento de combustível aéreo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, deveria considerar comprar o produto dos Estados Unidos, que possuem “bastante”. Ele também propôs que o Reino Unido “criasse coragem” e interviesse diretamente para reabrir a passagem marítima.
A França também foi mencionada, com Trump afirmando que o país tem sido “muito pouco prestativo” ao não permitir que aviões militares franceses com destino a Israel sobrevoassem seu território. Essas declarações refletem uma pressão americana para que aliados compartilhem mais ativamente os ônus da segurança global e da intervenção em conflitos.
EUA Descartam Intervenção Direta no Estreito de Ormuz
Em pronunciamento na Casa Branca, Donald Trump reiterou que uma ação direta dos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz não é uma prioridade ou responsabilidade americana. O presidente declarou que a questão “não é para nós”, mas sim para países como a França e “quem estiver usando o estreito”.
Trump também apontou a China como uma das nações que deveriam assumir responsabilidade pela reabertura da rota estratégica, por ser uma grande consumidora de petróleo que passa pela região. A fala reforça a visão de Trump de que os aliados devem arcar com mais custos e esforços em questões de segurança internacional, em vez de dependerem primariamente dos Estados Unidos.
Reação Europeia e Recusas de Apoio Logístico
A resposta dos aliados europeus às demandas americanas e à situação no Estreito de Ormuz tem se mostrado dividida. A Espanha, por exemplo, proibiu o uso de suas bases militares e espaço aéreo por forças americanas em operações contra o Irã, alegando que tais ações violam o direito internacional.
A Itália também negou apoio logístico. Segundo o jornal Corriere della Sera, Roma não autorizou o uso da base de Sigonella, na Sicília, para operações contra o Irã por falta de um pedido formal dos Estados Unidos. O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, buscou amenizar a situação, afirmando que não há tensões com os EUA e que ambos os países conhecem as normas de cooperação militar.
Impacto no Mercado Global e a Importância Estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima de fundamental importância para o comércio global de energia, por onde escoa aproximadamente 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo. Desde o início do conflito e o subsequente bloqueio, os preços do barril de petróleo registraram uma disparada significativa nos mercados internacionais.
A recusa de alguns aliados europeus em cooperar com operações militares e o posicionamento de Trump, que descarta a intervenção americana, criam um cenário de incerteza sobre como a situação no Estreito de Ormuz será resolvida e quais serão os próximos desdobramentos geopolíticos e econômicos dessa crise.
