Jovem hondurenha casada com sargento do Exército dos EUA é detida pelo ICE e corre risco de deportação
A recém-casada Annie Ramos, de 22 anos, enfrenta a possibilidade de deportação dos Estados Unidos após ser detida por agentes de imigração em uma base militar. A jovem, que vive no país desde os 20 meses de idade, foi presa poucos dias após oficializar sua união com o sargento do Exército Matthew Blank.
O casal se casou no final de março e, em seguida, dirigiu-se à base de Fort Johnson, na Louisiana, com o objetivo de registrar Annie como esposa de militar. O registro permitiria o acesso a benefícios e o início do processo para a obtenção do green card, um passo crucial para a regularização de sua situação migratória.
No entanto, durante o procedimento, ao ser questionada sobre visto ou residência permanente, Annie confirmou que não possuía nenhum desses documentos. A situação escalou rapidamente, com comunicações internas na base culminando na intervenção de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), que informaram o casal sobre a detenção de Annie. Conforme informação divulgada pela ABC News, o sargento Matthew Blank lamentou a situação, afirmando: “Eu nunca imaginei que fazer o correto – registrar a minha mulher para que ela pudesse receber a identificação militar, aceder aos benefícios a que tem direito por ser minha esposa, e dar início ao processo para o seu cartão de residente permanente – iria levar a que ela fosse levada de mim”.
Um longo caminho sem regularização
Annie Ramos chegou aos Estados Unidos ainda bebê, de forma irregular. Apesar de viver no país por duas décadas, ela nunca conseguiu regularizar sua situação migratória. Sua advogada, Jessie Schreier, explicou que Annie se encontra detida em cumprimento a uma ordem de expulsão emitida em 2005, quando ela tinha apenas 20 meses de idade. Essa ordem, segundo a advogada, pode ser executada a qualquer momento, resultando em sua deportação para um país que ela nunca conheceu.
DACA e TheDream.US: esperanças suspensas
A jovem é elegível para o programa Ação Diferida para Chegadas na Infância (DACA), que oferece proteção contra a deportação e permissão de trabalho para jovens imigrantes que chegaram ao país ainda crianças. Contudo, o programa está suspenso para novos pedidos há mais de um ano devido a disputas judiciais. Annie também é bolsista da organização TheDream.US, que apoia estudantes sem documentos.
Críticas à detenção e apelo por libertação
Gaby Pacheco, presidente e CEO da TheDream.US, criticou veementemente a detenção de Annie. “Deter uma estudante de bioquímica de 22 anos que vive aqui há duas décadas e é casada com um sargento do exército dos Estados Unidos, que se prepara para uma missão, não nos torna mais seguros [enquanto país] – enfraquece uma família militar, compromete os nossos valores fundamentais e revela o quanto caímos como nação”, afirmou Pacheco. Ela acrescentou: “Annie Ramos deve ser libertada e devolvida à sua família. E o nosso país e o nosso presidente devem usar este momento para acordarem”.
Posição oficial e luta pela liberdade
Apesar da repercussão, autoridades do Departamento de Segurança Interna dos EUA indicaram que a deportação pode ocorrer. Um porta-voz declarou que Annie foi detida “depois de ter tentado entrar numa base militar” e que ela “não tem estatuto legal para estar neste país”. Foi informado que uma ordem final de expulsão foi emitida por um juiz em 7 de abril de 2005, quando Annie ainda não havia completado dois anos de idade. O sargento Matthew Blank declarou que continuará lutando pela esposa: “Tenho orgulho em servir este país. Tenho orgulho em ser marido dele. Vou permanecer ao lado dela, independentemente do que seja preciso”. A mãe de Blank, Jen Rickling, também expressou seu apoio à nora, descrevendo-a como “ternurenta, inteligente e dedicada”. Annie Ramos está atualmente detida em uma unidade do serviço de imigração em Basile, na Louisiana.
