Em 15 de janeiro, duas tragédias separadas por 17 anos, o acidente com o Águia de Marabá expõe riscos de deslocamento de equipes, enquanto memória do episódio em Pelotas permanece viva
Na noite de 15 de janeiro de 2009, o futebol gaúcho foi marcado por uma das maiores tragédias envolvendo deslocamentos de clubes no país.
Dezessete anos depois, no mesmo dia do calendário, outro ônibus de uma equipe de futebol se envolveu em um grave acidente no norte do Brasil, renovando o debate sobre segurança nas rodovias.
As coincidências de data e o impacto humano provocam comoção em regiões distantes, e retornam perguntas sobre prevenção e assistência a delegações em viagem, conforme informação divulgada pelo Jornal Amazônia.
O que aconteceu com o Águia de Marabá
Por volta das 19h25, no km 591 da BR-153, em Santa Rita do Tocantins, o veículo que transportava a equipe Sub-20 do Águia de Marabá colidiu com um caminhão boiadeiro parado na rodovia, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal.
O clube retornava de Taubaté, onde havia disputado a Copa São Paulo de Futebol Júnior. O acidente resultou na morte de uma pessoa.
Ao todo, 32 ocupantes estavam no ônibus. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins, o técnico Ronan Tyezer, de 44 anos, foi internado em estado grave na UTI do Hospital Regional de Gurupi.
Outras três pessoas, além de uma criança de 11 anos, ficaram feridas em estado estável. Um adulto e 26 adolescentes não sofreram ferimentos e foram encaminhados para um hotel da cidade com apoio da prefeitura local.
Fontes do clube e publicações locais também registraram a morte do preparador físico Hecton Alves, e a divulgação de imagens do ônibus mostrou avarias significativas no veículo.
O triste paralelo com o acidente de 2009
Na noite de 15 de janeiro de 2009, o ônibus que transportava a delegação do Brasil de Pelotas tombou na RS-471, na curva de acesso à BR-392, em Canguçu, a cerca de 83 quilômetros de Pelotas.
A equipe retornava de um jogo-treino contra o Santa Cruz, em Vale do Sol, a poucos dias da estreia no Campeonato Gaúcho. O veículo levava 31 pessoas.
O acidente deixou 18 atletas feridos, alguns com lesões graves. Três pessoas morreram: o preparador de goleiros Giovani Guimarães, o zagueiro Régis Gouveia e o atacante uruguaio Cláudio Milar, ídolo do clube.
No dia 16 de janeiro, o Estádio Bento Freitas, tradicional palco de jogos, foi preparado para o velório coletivo das vítimas. A cidade acordou impactada pela tragédia que atingiu um de seus clubes mais populares.
Impactos para clubes, jogadores e competições
Ambos os episódios ocorreram durante deslocamentos, longe dos estádios, e deixaram marcas profundas nas estruturas dos clubes, nas carreiras de atletas e nas comunidades locais.
No caso do Brasil de Pelotas, a diretoria teve que avaliar se o clube teria condições emocionais e esportivas para disputar o Campeonato Gaúcho, e buscar apoio de torcedores e reorganização emergencial do elenco.
No episódio envolvendo o Águia de Marabá, autoridades estaduais e o clube mobilizaram atendimento médico, apoio psicológico e logística para retorno dos menores, enquanto investigações sobre as circunstâncias da colisão seguem com a Polícia Rodoviária Federal.
Perguntas abertas e medidas necessárias
A coincidência da data reforça a necessidade de medidas concretas, como inspeção de veículos, planejamento de viagens, protocolos médicos e fiscalização em pontos críticos das rodovias.
Instituições, federações e prefeituras são chamadas a articular respostas rápidas para oferecer suporte às vítimas e às famílias, e para reduzir riscos em deslocamentos de equipes de base e profissionais.
As duas tragédias, separadas por quase duas décadas e milhares de quilômetros, lembram que segurança em viagem precisa ser prioridade no futebol brasileiro, para proteger vidas fora das quatro linhas.
