Brax Série B, agência alega perda de valor comercial após audiência menor em 2025, solicita renegociação de contratos de placas e naming rights com a CBF
Brax sinalizou à CBF que pode não conseguir honrar os contratos comerciais da Série B, gerando nova tensão sobre a competição.
A agência justificou o pedido de renegociação apontando queda de audiência em 2025, o que, segundo ela, reduziu o valor comercial do torneio e a capacidade de gerar receitas.
O caso envolve cláusulas que preveem multa alta, e a situação foi noticiada inicialmente pela Folha de S.Paulo, conforme informação divulgada pela Folha de S.Paulo.
O risco financeiro e os contratos em vigor
O principal ponto de conflito é que, segundo a Brax, apenas o contrato de placas de publicidade prevê o pagamento de R$ 300 milhões de multa em caso de rescisão, e a empresa teme não honrar compromissos diante da perda de atratividade comercial.
Em 2025, a agência comprou os direitos de placas de publicidade da competição, em um acordo estimado em R$ 60 milhões por ano, além de adquirir os naming rights, avaliados em aproximadamente R$ 48 milhões.
Os acordos têm prazos diferentes, o contrato das placas é válido até 2029, enquanto o de naming rights se estende até 2026.
Reação da CBF e posicionamento oficial
A CBF informou que analisa “internamente os impactos do comunicado e as possibilidades contratuais e legais, ressaltando que os contratos vigentes permanecem em pleno efeito”.
A entidade também declarou que “qualquer eventual decisão não afetará os repasses financeiros aos clubes da Série B”, e que a competição é estratégica e está sendo valorizada.
Segundo a confederação, as dificuldades comerciais foram comunicadas pela Brax “acompanhadas de parecer técnico que aponta queda nos índices de audiência” e que esses dados são recebidos “com preocupação”.
Argumentos da Brax e a disputa sobre audiência
Em notificação formal no início da semana, a Brax afirmou que o torneio teria perdido valor comercial, por conta da audiência registrada em 2025, inferior ao ano anterior, e pediu renegociação dos termos.
No encontro ocorrido na sede da CBF, a Brax relatou dificuldades nas negociações e fez queixas aos clubes, embora não tenha afirmado explicitamente que irá rescindir os contratos.
Dirigentes de clubes presentes dizem que a agência conhecia a distribuição dos jogos para plataformas e emissoras, e que o mercado não mudou substancialmente em tão curto espaço de tempo, o que levou alguns a interpretar as reclamações como sinal de pressão.
Impactos para clubes e histórico da Brax
O valor pago pelos naming rights, de acordo com fontes, é normalmente usado pela CBF para bancar a logística dos clubes na Série B, como viagem e hospedagem, o que eleva as preocupações sobre efeitos práticos de um eventual rompimento.
Em 2023, a Brax adquiriu direitos de transmissão e de betting dos jogos da Série B. No ano seguinte, decidiu rescindir o contrato e se retirou sem pagar multa, já que não foi cobrada pela CBF. O acordo era válido até 2026, e a retirada gerou irritação entre os clubes na ocasião.
A Brax ganhou projeção em 2023 com um acordo para transmissão do Campeonato Carioca, e desde então atua com clubes das Séries A e B, federações estaduais, Conmebol e outros campeonatos, operando principalmente na venda de publicidade estática nos estádios.
Para 2026, a grade de transmissões da Série B inclui Disney, RedeTV!, XSports, Goat, SportyNet e também partidas vendidas ao Grupo Globo, mas a emissora adquiriu apenas transmissões específicas de alguns clubes, segundo interlocutores.
O que vem a seguir
Com a Brax pedindo renegociação, a CBF diz avaliar possibilidades legais e contratuais, enquanto clubes aguardam definições sobre repasses e logística.
Se a Brax optar por rescindir e for cobrada pela multa prevista no contrato de placas, o impacto financeiro pode ser milionário e reabrir a discussão sobre modelos de venda de inventário publicitário na Série B.
Nos próximos dias, a expectativa é por novas conversas entre Brax e CBF, com clubes monitorando os desdobramentos, e possíveis desdobramentos legais caso não haja acordo.
