Revelações mostram compra de gravação por R$ 275 mil, cheques de R$ 100 mil e um Pix de R$ 75 mil, além de conversas que sugerem forjar um furto do celular para apagar provas, e o impeachment de Julio Casares será votado
Rita de Cássia Adriana de Prado, apontada como pivô do caso sobre uso irregular de um camarote no Morumbi, afirmou em carta que foi pressionada por opositores do presidente para vender a gravação que exporia o esquema.
Segundo relatos, Adriana teria recebido R$ 275 mil pela venda do áudio, e documentos mostram cheques e um comprovante de Pix ligados ao pagamento, enquanto a comissão do clube indica revisão de contratos dos diretores licenciados.
Esses detalhes, que incluem conversas entre o marido de Adriana e um ex-conselheiro, foram relatados pelo Estadão, conforme informação divulgada pelo Estadão.
O que diz a carta e quem é citado
Na carta endereçada a Mara Casares, Adriana nega irregularidades na cessão do camarote e defende a conduta da colega, escrevendo, “Nunca vi ou soube de nada que desabonasse a sua (de Mara) conduta na administração do camarote. Sempre admirei sua correção e transparência”.
Ela disse ainda desconfiar de ações de terceiros, em uma passagem clara da carta: “Diante do que aconteceu, suspeito que terceiros, entre eles Denis Ormrod, Vinicius Pinotti e Fábio Mariz, possam ter agido com a intenção de causar prejuízos, principalmente ao Julio, sem que isso representasse minha vontade ou consciência”.
Os diretores Mara Casares e Douglas Schwartzman se licenciaram após o caso se tornar público, e as declarações de Adriana foram gravadas e divulgadas junto com a correspondência.
Áudio, compra e tentativa de forjar furto
Em novo áudio obtido pela reportagem, Tom, marido de Adriana, conversa com Denis Ormrod, ex-conselheiro do clube, alegando que houve pressão para que Adriana vendesse a gravação.
Na gravação, Tom reclama do encontro em que teria ocorrido a pressão e relata a negociação, dizendo, “Foi ‘toma o dinheiro e me dá as provas. Eu só quero meia dúzia de áudio e está bom'”.
A conversa entre Tom e Ormrod também trata da ideia de simular um furto do celular que conteria a gravação de Adriana, Mara e Schwartzman, com a intenção de impedir a divulgação ou uso das provas.
Provas financeiras: cheques e Pix
Junto da carta e do áudio, foram divulgados dois cheques de R$ 100 mil cada, assinados por Denis Ormrod, com datas de 5 de janeiro e 5 de fevereiro de 2026.
Também há um comprovante de Pix de R$ 75 mil em nome de Frederico SA Grilo, que teria sido devolvido, segundo apuração, e essa transferência é ligada a outros conselheiros citados no caso.
As movimentações financeiras reforçam a suspeita de que houve compra da gravação, e os nomes apontados são agora alvo de questionamentos internos no clube.
Consequências e o próximo passo no clube
A sindicância externa encomendada pelo São Paulo FC sugeriu a revisão dos contratos firmados pelos dois diretores que se licenciaram, e a diretoria agora encara desgaste político e jurídico no clube.
O impeachment de Julio Casares será votado nesta sexta-feira, e a acusação sobre o uso irregular do camarote figura entre os pontos centrais do processo, em um momento de intensa polarização interna.
Procurados pela reportagem, os citados não responderam até o fechamento desta matéria, e a divulgação de gravações, documentos e cheques amplia a disputa entre grupos que disputam a direção do São Paulo FC neste ano.
