Espanha impõe veto a operações militares dos EUA contra o Irã, fechando seu espaço aéreo e negando uso de bases estratégicas, em um movimento que sublinha a crescente tensão diplomática e a busca por neutralidade em conflitos internacionais.
O governo espanhol tomou uma decisão firme ao fechar seu espaço aéreo para voos relacionados aos ataques contra o Irã e vetar o uso de duas bases militares cruciais em seu território pelos Estados Unidos. A medida, confirmada por fontes oficiais, representa um distanciamento claro da participação em operações militares consideradas ilegais.
Segundo o jornal El País, as bases de Rota, em Cádiz, e Morón de la Frontera, em Sevilha, foram explicitamente negadas para fins de combate ou reabastecimento aéreo. Além disso, aeronaves americanas posicionadas em outros países, como Reino Unido e França, também foram impedidas de utilizar o espaço aéreo espanhol.
A confirmação veio do próprio primeiro-ministro Pedro Sánchez, que declarou perante o Parlamento a recusa do país em colaborar com a ofensiva. “Não autorizamos a utilização das bases de Rota e Morón para esta guerra ilegal”, afirmou Sánchez, enfatizando que todos os planos de voo associados à operação no Irã foram rejeitados, incluindo os de aeronaves de reabastecimento.
Soberania e Direito Internacional como Pilares da Decisão
O premiê espanhol defendeu a posição adotada pelo governo, ressaltando que a decisão foi baseada no acordo bilateral existente e no princípio da soberania nacional. “Somos um país soberano que não quer participar de guerras ilegais”, declarou Sánchez, justificando a recusa em envolver a Espanha em conflitos que, segundo sua ótica, violam o direito internacional.
Nas semanas que antecederam os primeiros ataques, iniciados em 28 de fevereiro, houve intensas negociações entre Madri e Washington. No entanto, as discussões culminaram na decisão de veto por parte da Espanha, que desde o início do conflito tem condenado tanto os ataques liderados pelos EUA e Israel quanto a resposta do Irã.
Críticas à Ofensiva e Cenário de Instabilidade
Pedro Sánchez classificou o cenário no Oriente Médio como um “desastre absoluto”, comparando a gravidade da situação atual à guerra do Iraque em 2003. Ele destacou o Irã como uma potência militar e econômica de impacto global, e criticou a falta de clareza nos objetivos da ofensiva, bem como a ausência de consulta prévia aos aliados.
O líder espanhol também apontou que os ataques ocorreram em um momento de sinais de avanço nas negociações diplomáticas com Teerã e quando autoridades americanas indicavam não haver ameaça nuclear iminente. Para Sánchez, o conflito tem gerado instabilidade na região, prejudicado a economia global e, paradoxalmente, fortalecido a Rússia em detrimento da Ucrânia.
