EUA e Irã em rota de colisão: diálogo e ameaças marcam a escalada de tensões no Oriente Médio
Washington tenta retomar negociações com Teerã após um impasse, enquanto o Irã mantém um bloqueio estratégico e eleva as ameaças a rotas marítimas cruciais. Essa dinâmica complexa aumenta o risco para o comércio global e levanta preocupações sobre a possível ruptura do cessar-fogo em vigor.
A Casa Branca demonstrou otimismo quanto à possibilidade de um acordo, após a ameaça iraniana de bloquear a circulação no Mar Vermelho em resposta ao bloqueio de portos iranianos. O Irã reafirmou seu interesse em continuar negociando, enquanto o mundo aguarda a possível prorrogação do cessar-fogo, iniciado em 8 de abril.
Conversas estão em andamento para uma nova rodada de negociações em Islamabad, Paquistão. “Mas estamos otimistas quanto à perspectiva de um acordo”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, após o fracasso da primeira rodada de negociações no último domingo. Conforme informação divulgada pela Lusa, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, nesta quarta-feira.
O Irã exige direito nuclear e Israel alinha-se aos EUA
O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghai, indicou que “várias mensagens tinham sido trocadas através do Paquistão” nos últimos dias. No entanto, o Irã mantém uma exigência central: o direito ao uso de energia nuclear para fins civis não pode ser “retirado sob pressão ou através da guerra”. Baghai afirmou que o país aceita discutir apenas “o nível e o tipo de enriquecimento” de urânio.
Em contrapartida, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que os objetivos de Israel e dos Estados Unidos em relação ao Irã “são idênticos”, citando o “abandono da capacidade de enriquecimento no interior do Irão”.
Bloqueios marítimos e ameaças de escalada
No plano prático, Teerã continua a bloquear o Estreito de Ormuz. Washington, por sua vez, mantém restrições a navios que saem ou chegam a portos iranianos desde segunda-feira. O Exército dos Estados Unidos informou ter impedido dez embarcações de deixar portos do Irã.
O chefe das forças dos EUA na região, Brad Cooper, afirmou que “as forças norte-americanas paralisaram completamente o comércio marítimo” iraniano, destacando que cerca de 90% da economia do país depende desse tipo de comércio. Essa ação gerou forte reação do lado iraniano.
Irã responde com ameaças de bloqueio e ataques
Em resposta, o chefe do comando das forças armadas iranianas, general Ali Abdollahi, advertiu que, se os Estados Unidos “criarem insegurança para os navios comerciais do Irão e os petroleiros”, isso poderá ser “o prelúdio” de uma violação do cessar-fogo. Ele afirmou que o Irã não permitirá “nenhuma exportação ou importação no Golfo Pérsico, no Mar de Omã ou no Mar Vermelho”, embora não tenha detalhado como esse bloqueio seria realizado nesta última região.
O conselheiro do líder supremo iraniano, Mohsen Rezaei, intensificou as ameaças, afirmando que, caso os Estados Unidos tentem agir como “polícia” no estreito, embarcações americanas poderão ser atacadas. “Os vossos navios serão afundados pelos nossos primeiros mísseis e isso representa um perigo para os militares americanos”, disse Rezaei em entrevista à televisão iraniana.
Mercados reagem com cautela, mas bolsa de Nova York sobe
Diante da escalada de tensão, ministros das Finanças de 11 países, incluindo Reino Unido, Japão e Austrália, defenderam uma “resolução negociada” para o conflito. Eles alertaram para os riscos à segurança energética global, às cadeias de suprimentos e à estabilidade econômica e financeira.
Apesar do cenário de instabilidade, a bolsa de Nova York fechou em alta nesta quarta-feira. Os índices S&P 500 e Nasdaq Composite atingiram novos recordes, impulsionados pela expectativa de continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã.
