EUA intensificam ataques contra tráfico no Pacífico: duas mortes em ação recente levantam preocupações
Os Estados Unidos voltaram a realizar um ataque no Oceano Pacífico contra uma embarcação suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas, resultando na morte de duas pessoas. A operação ocorreu em águas próximas à costa da Colômbia, segundo o Comando Militar dos EUA para a América Latina e o Caribe.
O Comando Sul dos Estados Unidos divulgou um vídeo que mostra a embarcação sendo atingida e explodindo em chamas. Em nota oficial, o comando confirmou as mortes, classificando os indivíduos como “narcoterroristas”.
A embarcação, segundo os militares, navegava por rotas conhecidas de tráfico de drogas no Pacífico Oriental e estaria diretamente envolvida no transporte de entorpecentes. O anúncio surge após o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmar que traficantes da região estariam suspendendo atividades devido a ataques “altamente eficazes”. Conforme informação divulgada pelo Comando Sul dos EUA, o ataque ocorreu nesta quinta-feira (5) e faz parte da Operação Lança do Sul.
Operação Lança do Sul: números e críticas
Desde setembro, a chamada **Operação Lança do Sul** já resultou em pelo menos 128 mortes e a destruição de 37 embarcações. Este foi o segundo ataque registrado em 2026, após uma ação similar em 23 de janeiro, também no Pacífico. A administração Trump alega que os Estados Unidos vivem um “conflito armado” com cartéis na América Latina, defendendo os bombardeios como uma medida necessária para conter o fluxo de drogas.
Debate sobre legalidade e direitos humanos
A legalidade da campanha tem sido alvo de intenso debate. Especialistas e representantes da Organização das Nações Unidas classificaram as ações como execuções extrajudiciais e violações graves das leis internacionais. A falta de provas públicas apresentadas pelos EUA sobre o envolvimento das embarcações com o tráfico também é um ponto de forte questionamento.
Primeiro processo judicial contra os ataques
Na semana passada, familiares de dois cidadãos de Trindade e Tobago, mortos em um ataque em outubro, processaram o governo federal dos EUA. Eles descreveram a ação como um crime de guerra e parte de uma campanha militar “manifestamente ilegal”. Este é o primeiro processo judicial tornado público relacionado à ofensiva e pode testar a base jurídica utilizada por Washington para justificar os ataques, que se iniciaram no Caribe e precederam a intervenção militar na Venezuela em 3 de janeiro.
Contexto diplomático tenso
O ataque ocorre em um momento de tensões diplomáticas entre os EUA e a Colômbia. O presidente colombiano, Gustavo Petro, esteve em Washington para uma visita oficial, após semanas de críticas mútuas. Petro criticou o ataque americano contra a Venezuela, enquanto Trump acusou o líder colombiano de permitir o tráfico de drogas. Apesar das tensões, o encontro entre os presidentes durou mais de duas horas, indicando uma possível melhora na relação bilateral.
