Decisão da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro revoga a liberdade condicional de Bruno, juiz aponta descaso e violação das condições ao viajar ao Acre sem autorização
Bruno teve o mandado de prisão expedido após deixar o Rio de Janeiro sem autorização judicial, enquanto estava atuando no Acre pelo Vasco Atlético Clube, o Vasco-AC.
A decisão da Justiça revogou a liberdade condicional concedida ao ex-jogador, que cumpria pena em regime condicional por um crime de grande repercussão.
Conforme informação divulgada pela Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro.
Prisão decretada e justificativa da Justiça
A Justiça do Rio de Janeiro revogou a liberdade condicional e expediu mandado de prisão contra Bruno Fernandes de Souza, após a ida dele ao Acre, sem autorização.
O juiz Rafael Estrela Nóbrega afirmou que as condutas do apenado, “devem ser encaradas como descaso no cumprimento do benefício que lhe foi concedido”, e ressaltou que a viagem ocorreu apenas quatro dias depois de efetivada a condicional.
Segundo o magistrado, a ação “violou as determinações contidas na decisão que concedeu o benefício”.
O juiz completou, “O apenado é quem deve se adequar às regras de cumprimento da pena, seja em qual estágio ela esteja, e não o contrário. Além disso, o reeducando tomou ciência de todas as condições inerentes ao benefício, não podendo alegar desconhecimento dos requisitos impostos”, completou Nóbrega.
Condenação, crimes e período de cumprimento
Bruno foi condenado a 22 anos e um mês de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e lesão corporal contra Eliza Samudio. A previsão inicial para o término do cumprimento da pena era 8 de janeiro de 2031.
A condenação ocorreu em 2013, e a execução da pena foi transferida para o Rio de Janeiro em 2021, após diversas movimentações relacionadas a propostas de trabalho.
Em fevereiro de 2017, ele chegou a obter um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, mas, dois meses depois, a Corte reverteu a decisão e o reconduziu à prisão. Em 2019, houve progressão para o regime semiaberto, e em 2023 a progressão levou à liberdade condicional.
Passagem pelo Vasco-AC e polêmicas na partida
O goleiro Bruno atuou apenas uma vez pelo Vasco-AC, em partida pela Copa do Brasil, que terminou 1 a 1 contra o Velo Clube. Apesar de ter defendido duas cobranças na disputa de pênaltis, ele não evitou a eliminação da equipe.
A contratação gerou repercussão, e a rede de mercados Arasuper, patrocinadora máster do clube, rompeu o contrato após a partida, justificando a decisão em função dos “acontecimentos recentes envolvendo o clube”.
Na mesma partida, o Vasco-AC homenageou três jogadores do elenco que são acusados de estupro contra duas mulheres no alojamento do próprio clube, fato que ampliou a controvérsia em torno das contratações.
Caminhos recentes e locais por onde passou
Entre 2020 e 2026, Bruno passou por diversas localidades e clubes, acompanhando propostas de trabalho e mudanças de execução da pena. Entre os locais citados estão Poços de Caldas, em Minas Gerais, Rio Branco, no Acre, Atlético Carioca e Búzios, no Rio de Janeiro, além de times como Orion, em São Paulo, União do Bom Destino e Capixaba, no Espírito Santo.
Com a expedição do mandado de prisão pela Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, a expectativa é de que as autoridades responsáveis cumpram a ordem e procedam à reavaliação do regime de cumprimento da pena de Bruno.
