Recuperação judicial do Paysandu vai suspender execuções por 180 dias, dar segurança a atletas e permitir plano para quitar R$ 75 milhões, afirma presidente Márcio Tuma
O presidente Márcio Tuma avaliou como fundamental a adoção da recuperação judicial do Paysandu para manter o clube em operação e preservar a temporada, evitando a falência.
A medida, decretada pela Justiça no último dia 20, dá ao clube um prazo de 180 dias em que as execuções ficam suspensas, até a apresentação de um plano de pagamento.
As declarações foram dadas minutos antes da vitória do Paysandu no Re-Pa da final do Campeonato Paraense, em entrevista à rádio Liberal+, conforme informação divulgada pelo Jornal Amazônia.
Detalhes da recuperação judicial e impacto financeiro
A decisão judicial concede ao clube um período de 180 dias para organizar um plano que contemple cerca de R$ 75 milhões em débitos, segundo a publicação. Do total da dívida, mais de R$ 15 milhões correspondem ao passivo trabalhista, e o restante envolve obrigações com a União, o Estado e o Município, além de débitos sem garantias reais.
Entre as obrigações mencionadas estão aportes e doações realizadas por ex-dirigentes, como o caso do ex-presidente Roger Aguilera, que injetou cerca de R$ 12 milhões e já afirmou não ter intenção de cobrar esses valores do clube.
Sobre a escolha pelo caminho judicial, Tuma afirmou, em trecho reproduzido pela fonte, “Para quem entende minimamente de recuperação judicial, sabe que foi um grande acerto. Foi a única alternativa jurídica e legítima para manter a operação do clube em pleno funcionamento, garantindo o pagamento dos débitos pretéritos dentro da nossa capacidade financeira”.
Posicionamento sobre a SAF
Questionado sobre a transformação em Sociedade Anônima do Futebol, Tuma reconheceu que a SAF é um modelo possível de profissionalização, mas que não é o único caminho. Ele deixou claro que o clube não adotará a medida por impulso ou em momento de fraqueza financeira.
Nas palavras do presidente, “Vejo a SAF como um caminho de profissionalização, mas essa profissionalização também pode acontecer fora desse modelo. Neste momento, estamos realizando um movimento interno de aprimoramento da gestão, tornando nossos processos cada vez mais eficientes”.
Tuma acrescentou que “A SAF é uma possibilidade futura, caso surja um investidor que reconheça e quantifique o valor do Paysandu, que é muito grande. No entanto, qualquer discussão sobre SAF precisa ocorrer no momento adequado, quando o clube estiver em uma divisão compatível com sua grandeza, na elite do futebol brasileiro e financeiramente estabilizado. Somente nesse cenário poderemos pensar em SAF por opção, e não por necessidade. Hoje, não é um tema que esteja em pauta”.
Próximos passos e efeitos práticos
Nos próximos meses a diretoria deve apresentar o plano de recuperação, com metas e cronograma de pagamentos. A expectativa é que a medida traga segurança para o registro de atletas e para a atração de reforços, pois impede a prática de atrasos que prejudicam contratações.
Para Tuma, a recuperação judicial do Paysandu fortalece o clube no mercado e dá confiança a jogadores e parceiros, enquanto a diretoria trabalha na reestruturação administrativa e financeira para buscar a estabilidade.
O cenário exige acompanhamento, e a evolução do plano será determinante para definir, no futuro, se a alternativa da SAF será considerada, sempre, segundo o presidente, como uma opção e não como uma necessidade imediata.
