Saída de Marcos Braz antes da estreia, troca por Luís Vagner Vivian, e preocupação com o papel dele nos bastidores, na montagem de elenco e na exposição nacional do Remo
O Remo iniciou a Série A sem uma das peças centrais do acesso, com a saída de Marcos Braz dias antes da estreia na elite do futebol brasileiro.
A decisão, tomada após reunião com o presidente Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, dividiu opiniões entre torcedores e colocou em debate a importância do executivo nas conquistas recentes do clube.
Nas entrevistas, jornalistas que acompanham o clube avaliaram o impacto técnico, midiático e administrativo da saída, e o que muda com a chegada de Luís Vagner Vivian, conforme informação divulgada pelo O Liberal
O papel de Braz nas contratações e no acesso
Segundo o jornalista Carlos Ferreira, “A função e missão do Braz, que ele poderia ter cumprido ele conseguiu, que foram as contratações. Se elas foram boas ou não o tempo irá dizer, mas acredito que o prestigio dele pesou bastante, como no caso técnico Osorio.” A frase destaca que, na visão de Ferreira, o legado imediato de Braz passa pelas escolhas de elenco e pela capacidade de atrair nomes que deram visibilidade ao clube.
Mathaus Pauxis lembra que o trabalho de Braz não foi isolado, e que outras peças foram fundamentais no acesso, “O Braz foi importante no acesso, sim. Mas temos que avaliar até que ponto. Ele foi fundamental? Foi! Assim como foi o Guto Ferreira, que quando chegou, o clube estava na 12ª posição e o Marcos Braz estava à frente.” A avaliação aponta para uma soma de esforços, e não para uma responsabilidade exclusiva de um único executivo.
Autoridade, disciplina e o perfil do novo executivo
Um dos pontos levantados é a perda de autoridade que a saída pode provocar. Carlos Ferreira afirma que “O que pode acontecer aí é uma perda de autoridade, mas o tempo irá dizer. Essa autoridade o clube espera do Luís Vagner Vivian, de manter a funcionalidade dos departamentos.” A preocupação é sobre quem, agora, dará o tom nas decisões internas e na condução do departamento de futebol.
Ferreira descreve Braz como “o cara que ‘fala grosso’ e ficam profissionais bem definidos para o trabalho fluir”, enquanto aponta que Luís Vagner Vivian tem outro perfil, mais voltado à logística, o que pode significar uma gestão menos ríspida, e mais política, em alguns momentos.
Impacto midiático, conhecimento da Série A e continuidade
Para Mathaus Pauxis, a saída representa perda de prestígio e de projeção nacional, “Ele tinha um impacto midiático, o clube pra fora do Estado passou a ser conhecido como o ‘Remo do Marcos Braz’, o ‘time do Braz’ e isso trouxe uma visibilidade diferente que o clube não estava acostumado e colocou o clube em um ‘hype’ importante, principalmente para a comunicação, publicidade e marketing.”
Além do brilho midiático, Pauxis destaca o entendimento da elite do futebol que Braz agregava ao clube, “No futebol paraense, me arrisco a dizer que ninguém nos últimos 20, 25 anos, entendia mais da Série A atual que o Braz, ele viveu a competição e todas as suas mudanças e esse conhecimento o Remo não possui tento nesse momento.” Essa falta de experiência específica na Série A é vista como um risco no pré-campo organizacional e logístico do clube.
Por outro lado, Pauxis também relativiza o efeito imediato, afirmando que a montagem do elenco não se resume ao trabalho de um único executivo, “Montagem de elenco, que é o principal, acredito que o que o Remo montou para a Série A com o Marcos Braz, poucos nomes podemos citar que ele está aqui por conta do Marcos Braz. Pra mim, a melhor contratação do Braz foi puxar o Diego Hernandez na Série B do ano passado.”
O que muda na prática e o que observar nos próximos jogos
Na prática, a transição para um novo executivo, Luís Vagner Vivian, tende a alterar procedimentos internos, prioridades e o estilo de negociação, especialmente na logística e na operação de rotina, áreas em que Vivian é reconhecido.
Os cronistas ouvidos pelo O Liberal apontam que, acima de tudo, o que ficará em teste é a capacidade do clube de manter disciplina, condução e visibilidade sem o perfil combativo de Braz, e de mostrar que a estrutura montada resiste a mudanças de comando.
Com a estreia na Série A já em curso, o desempenho em campo e a manutenção do elenco serão os testes mais imediatos, enquanto nos bastidores o desafio será transformar a saída em readequ ação administrativa, sem perder a projeção nacional conquistada recentemente.
