Menino de 9 anos encontrado em estado crítico após viver em van por quase dois anos no leste da França
Um caso chocante veio à tona no leste da França, onde um menino de 9 anos foi resgatado em condições extremas após passar cerca de 17 meses confinado dentro de uma van. A criança foi encontrada nua, desnutrida e incapaz de andar, gerando uma investigação que levou à prisão do pai e à acusação da madrasta.
O alarme foi dado por um vizinho que ouviu choros vindos do veículo, estacionado no pátio de um conjunto residencial em Hagenbach. Ao chegarem, os policiais se depararam com uma cena desoladora: o menino, em posição fetal, coberto apenas por um cobertor, deitado sobre lixo e fezes, pálido e visivelmente debilitado.
Segundo as autoridades, a privação de movimento e os cuidados precários impediram o desenvolvimento motor da criança, que não conseguia mais andar. O caso levanta sérias questões sobre negligência e maus-tratos, com desdobramentos que incluem a proteção estatal dos três irmãos envolvidos. Conforme informação divulgada pela mídia, o pai admitiu ter mantido o filho na van desde novembro de 2024.
Pai alega medo de internação psiquiátrica para justificar cativeiro na van
O pai, de 43 anos, confessou ter mantido o filho em cativeiro na van desde novembro de 2024. Em seu depoimento, ele afirmou que seu principal receio era a possibilidade de a companheira, a madrasta da criança, internar o menino em um hospital psiquiátrico. O próprio garoto relatou aos investigadores ter tido conflitos com a madrasta, que, segundo ele, “não o queria mais em casa”.
A madrasta, por sua vez, negou ter conhecimento de que o menino vivia em cativeiro. Ela declarou ter ouvido barulhos vindos da van e questionado sobre a origem, mas disse não ter recebido resposta. No entanto, a meia-irmã da vítima contou à polícia que a mãe também ouviu os sons e perguntou sobre eles, recebendo como explicação que se tratava do miado de um gato.
Condições degradantes: último banho da criança foi em 2024
Durante o período em que manteve o filho em confinamento na van, o pai alegou que fornecia comida duas vezes ao dia e água, além de permitir contato por celular. A criança utilizava garrafas e sacos de lixo para suas necessidades básicas. Em um depoimento chocante, o menino relatou que tomou seu último banho no fim de 2024, quando ainda tinha 7 anos.
A investigação aponta que o menino permanecia dentro do veículo inclusive durante os deslocamentos diários do pai, que utilizava a van para trabalhar. No último verão europeu, ele foi autorizado a entrar no apartamento apenas quando a família estava viajando de férias, evidenciando a extensão do isolamento a que era submetido.
Pai indiciado por sequestro, madrasta por omissão e crianças sob proteção do Estado
Diante dos fatos, o pai foi indiciado por sequestro e privação de cuidados, permanecendo preso. A madrasta foi acusada por omissão de socorro e está sob supervisão judicial. O menino de 9 anos, sua irmã de 12 anos e a meia-irmã de 10 anos foram colocados sob a proteção do Estado, recebendo os cuidados necessários após o terrível período de negligência.
O caso ressalta a importância da vigilância comunitária e da rápida intervenção das autoridades em situações de suspeita de maus-tratos. A comunidade local e as autoridades estão agora focadas em garantir o bem-estar e a recuperação das crianças envolvidas neste triste episódio.
