Multidões tomam Nova York em protesto contra Donald Trump, denunciando “tirania” e pedindo “impeachment já!”.
A cidade de Nova York foi palco de mais um grande protesto contra o governo de Donald Trump. A terceira edição da manifestação “No Kings” atraiu milhares de pessoas que marcharam pelas ruas, expressando forte descontentamento com as políticas e a administração do presidente americano.
Os manifestantes acusam Trump de tentar minar a democracia nos Estados Unidos e de governar de forma “tirana”. As críticas abrangem desde a política externa até a forma como o presidente lida com leis e o Estado de Direito, gerando preocupação em diversos setores da sociedade.
O movimento “No Kings” busca unir cidadãos com diferentes pautas de insatisfação, mas com um objetivo comum: defender os princípios democráticos e expressar oposição às ações do atual governo. Os protestos ganham força em todo o país, com mais de 3.000 manifestações programadas, conforme divulgado pelo site do movimento.
“Nunca imaginei que, nessa idade, teria que ir às ruas protestar contra o fascismo”, desabafa moradora de 84 anos.
A marcha começou próxima ao Central Park e seguiu em direção à Times Square, um dos pontos turísticos mais famosos da cidade. Entre os presentes, o sentimento era de urgência e preocupação com o futuro do país. Ellen, uma nova-iorquina de 84 anos, compartilhou sua angústia com a Lusa:
“Este presidente está destruindo tudo aquilo que a América representa. As guerras, a economia, as leis que Donald Trump tem violado, estamos perdendo o Estado de Direito”, afirmou. “Nunca imaginei que, nessa idade, teria que ir às ruas protestar contra o fascismo”, lamentou, acrescentando que “esta já não é a nossa América”.
Ellen estava acompanhada de seu marido, Mark, de 82 anos, que também expressou apreensão, especialmente em relação à guerra no Irã. Ele sugere que Donald Trump estaria sendo influenciado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a quem acusa de ações violentas na região.
“Trump quer governar sobre nós como um tirano”, afirma movimento “No Kings”.
O site oficial do protesto “No Kings” reforça o sentimento dos manifestantes, declarando que “Trump quer governar sobre nós como um tirano”. A mensagem continua, enfatizando que “esta é a América, e o poder pertence ao povo — não a aspirantes a reis ou aos seus aliados bilionários”.
Em meio à multidão, cartazes exibiam mensagens contundentes como “Graças a este presidente, somos uma vergonha global”, “Impeachment já!”, “Salvem o Congresso, defendam a Constituição, votem nos Democratas”, “Abolir a polícia anti-imigração já!” e “Trump não tem capacidade para ser presidente”.
Preocupação com a democracia e a política de imigração marcam os protestos.
Tom, de 56 anos, destacou a importância de defender a democracia e sua preocupação com a intimidação de eleitores. “Estou muito frustrado com o rumo que o nosso país está tomando”, disse à Lusa.
Sobre a política externa, Tom reconheceu a necessidade de agir contra o regime do Irã, mas ressaltou que as ações deveriam ser conduzidas “por alguém que sabe o que está fazendo”, indicando que Donald Trump e seu governo não estariam preparados para a complexidade da situação.
Em relação à política anti-imigração, ele enfatizou o valor dos imigrantes para o país: “Os imigrantes são muito importantes e deveriam ser tratados com respeito. A América está passando por um momento difícil, mas queremos que o mundo saiba que queremos ser amigos”.
Protestos “No Kings” têm histórico de mobilização em massa.
A primeira edição do “No Kings” ocorreu em junho do ano passado, no mesmo dia em que Donald Trump organizou um desfile militar em Washington. Quatro meses depois, em outubro, mais de sete milhões de pessoas participaram de manifestações em todos os 50 estados, segundo os organizadores.
Na cidade de Nova Iorque, as autoridades estimaram a participação de mais de 100 mil pessoas na ocasião. Para os protestos atuais, a organização espera uma adesão ainda maior, prevendo um “maior dia de ação não violenta” na história dos Estados Unidos.
Em resposta, a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, declarou ao The New York Times que “as únicas pessoas que se importam” com esses protestos “são os repórteres pagos para cobri-los”.
