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10. março 2026

Paysandu pode virar SAF já no plano de recuperação judicial, prazo até 21 de abril será decisivo para atrair investidores e reequilibrar dívidas

Com a recuperação judicial deferida, Paysandu terá de formalizar no plano de pagamento a intenção de virar SAF, prazo e transparência serão determinantes para investidores e credores

A decisão que autorizou a recuperação judicial do Paysandu colocou na ordem do dia a possibilidade de o clube associativo criar uma SAF como ferramenta para organizar dívidas e atrair novo capital privado.

Especialistas e dirigentes ouvidos avaliam que a mudança de modelo de gestão só se torna efetiva se constar formalmente no plano de recuperação apresentado aos credores, e que o calendário do processo será estratégico.

O plano de pagamento precisa ser entregue à Justiça até 21 de abril, e o andamento do processo seguirá com transparência, por meio de relatórios mensais e publicações oficiais, conforme informação divulgada pelo O Liberal.

O que a lei permite, e o prazo para apresentar o plano

Conforme levantamento sobre a legislação que abriu caminho para clubes-empresa, a inclusão de agremiações associativas no regime de recuperação judicial ampliou as opções para reestruturação. A legislação equiparou direitos de clubes aos de empresários, o que viabiliza o uso da recuperação judicial como etapa para a criação de uma SAF, como já ocorreu em outros clubes.

Sobre a necessidade de formalizar a transição no documento, o advogado Rodrigo Monteiro de Castro, autor intelectual da Lei das SAFs, afirmou, “Não estudei o caso do Paysandu [em relação à viabilidade de criação de uma SAF], mas, se o clube quiser fazer isso, deve apresentar a proposta no plano de recuperação judicial. Esse é o primeiro passo para um clube associativo que deseja fazer a transição”.

Com o deferimento do pedido de recuperação judicial, ações e execuções ficam suspensas por um “stay period”, e o clube tem, em regra, até 60 dias para submeter um plano detalhado de pagamento aos credores. O juiz também negou pedido de sigilo, tornando públicas as informações do processo, e determinou que o clube entregue relatórios mensais até o dia 15 de cada mês.

Declarações do ex-presidente e avaliação do valor da possível SAF

A discussão sobre a criação de uma SAF no Paysandu já vinha sendo trazida por dirigentes. Em 2025, o então presidente Roger Aguilera disse que cogitava a mudança de modelo e avaliou a entidade do futebol do clube em R$ 300 milhões.

Na ocasião, Aguilera afirmou, “O Paysandu tem que fazer uma SAF. A gente vai continuar nesse modelo de gestão que a gente sabe que não vai dar certo? Precisamos achar um grupo sério: olha o Bahia, cara, todo ano era a mesma história e hoje é outro patamar. O Botafogo, que é um time tradicional, ninguém imaginava que iria ganhar um Brasileiro e uma Libertadores no mesmo ano”.

Sobre a avaliação, ele disse, “A SAF do Paysandu é R$ 300 milhões. A gente fez o valuation dela junto com uma empresa e deu esses R$ 300 milhões. O futebol, é claro, pois tu desmembra do resto. E aí tem vários modelos de SAF, com o clube tendo 20%, etc.”

Riscos fiscais, próximos passos e impacto para torcedores

Além da estratégia de negociação com credores, especialistas alertam para efeitos fiscais da mudança de natureza jurídica. Rodrigo Monteiro de Castro advertiu para potenciais passivos tributários caso o fisco entenda haver natureza empresarial retroativa.

Ele explicou, “Não há necessidade de ajuste específico na lei como um todo. Há uma jurisprudência farta, que pode ser usada para o bem e para o mal. Se um clube diz que ele é empresário, ele deveria ter efeitos fiscais de empresário. Se ele recolhia impostos como clube, que tem uma carga tributária menor, como ele é empresário? Como fica esse ponto? Ele pode criar, automaticamente, um passivo de ordem tributária, caso o fisco entenda que deva fazer um recolhimento retroativo em relação aos impostos”.

Na prática, o Paysandu agora precisa definir, até a data-limite do plano, se incluirá a proposta de transição para SAF, detalhar modelos de negócio, apresentar valuation e calendário de pagamento, e acompanhar a habilitação de credores por meio dos editais que devem ser publicados.

Torcedores e interessados acompanharão o processo com atenção, pois a formalização da SAF no plano de recuperação pode alterar radicalmente a governança, as fontes de investimento e a capacidade de o clube sanar dívidas e retomar o crescimento esportivo.

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