Verão exige atenção redobrada com a saúde renal: especialistas alertam para o aumento de até 30% nos casos de pedra nos rins devido ao calor e má hidratação
O verão, época de sol e calor intenso, traz consigo um alerta importante para a saúde que vai além dos cuidados com a pele. Os meses mais quentes registram um aumento expressivo nos atendimentos por pedra nos rins, popularmente conhecida como cálculo renal. Um levantamento aponta que a incidência da condição pode crescer em até 30% durante essa estação.
Essa elevação está diretamente ligada à desidratação, comum com o excesso de suor e a ingestão insuficiente de líquidos, além de mudanças nos hábitos alimentares típicos do período. O consumo elevado de bebidas açucaradas e alimentos ricos em sal e proteínas pode sobrecarregar os rins, favorecendo a formação das temidas pedras.
A condição, que afeta cerca de 15% da população mundial, pode se formar silenciosamente. Somente quando as pedras se deslocam pelas vias urinárias é que os sintomas se manifestam, muitas vezes de forma intensa. Conforme informação divulgada pelo Centro de Referência em Saúde do Homem, em São Paulo, o aumento de até 30% nos atendimentos relacionados à pedra nos rins durante o verão é um dado preocupante.
A combinação perigosa de calor e hábitos inadequados
O nefrologista Alexandre Bignelli explica que o calor intenso do verão, aliado à menor ingestão de água e ao aumento do consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas, cria um cenário propício para a formação de pedras nos rins. A desidratação faz com que os rins precisem concentrar mais a urina para manter o equilíbrio hídrico do corpo.
Essa concentração elevada de urina favorece a cristalização de sais minerais, como cálcio e ácido úrico, que são os principais componentes das pedras nos rins. Além disso, o consumo excessivo de alimentos muito salgados e ricos em proteínas animais também contribui significativamente para esse processo, agindo como um verdadeiro catalisador para o problema.
Cólica renal: o sinal de alerta que não pode ser ignorado
Um dos maiores desafios do cálculo renal é que, na maioria das vezes, ele se desenvolve sem dores ou sintomas perceptíveis. As pedras só costumam ser descobertas quando já atingiram um tamanho considerável e começam a se mover pelas vias urinárias, causando obstruções. Esse movimento pode resultar em dores excruciantes.
O principal sintoma de alerta é a **cólica renal**, caracterizada por uma dor intensa e aguda na região lombar, que pode irradiar para o abdome inferior ou até mesmo para a região genital. Em casos mais graves, a intensidade da dor pode exigir internação hospitalar e o uso de medicamentos administrados por via intravenosa. Ao sentir dores fortes nessas áreas, é fundamental procurar um pronto-socorro imediatamente.
Prevenção é o melhor caminho para evitar a pedra nos rins no verão
Embora qualquer pessoa possa desenvolver pedra nos rins, alguns grupos são considerados de maior risco, especialmente durante o verão. Pessoas com histórico familiar da doença, indivíduos com obesidade, diabetes, ácido úrico elevado, trabalhadores expostos a altas temperaturas, atletas que praticam atividades físicas ao ar livre e idosos estão entre os mais vulneráveis.
A principal medida de prevenção é garantir uma **hidratação adequada**, mantendo um volume urinário em torno de dois litros por dia. Além de beber bastante água, o consumo de sucos naturais ricos em citrato, como os de limão, melão e laranja, é altamente recomendado, pois ajudam a proteger os rins. Outra dica valiosa é reduzir o consumo de sal, proteínas animais em excesso, chocolates, chá preto e alimentos muito açucarados.
Adotar essas mudanças simples na rotina diária pode fazer uma grande diferença na prevenção de crises de pedra nos rins, permitindo que você aproveite o verão com mais saúde e tranquilidade. Em caso de qualquer desconforto ou dor, não hesite em buscar orientação médica especializada.
