Mudança no MorumBis envolve retirada de geladeiras, estufas e fogão da FGoal, início da operação da GSH em dia de jogo e expectativa de aumento de receitas para o São Paulo
O São Paulo iniciou a remoção dos equipamentos que pertenciam à antiga fornecedora FGoal no MorumBis, após a empresa não cumprir o prazo estipulado para retirada dos itens. A operação do clube incluiu inventário em cartório e a transferência dos materiais para um galpão, com custos que serão repassados à FGoal.
A transição ocorre às vésperas do clássico contra o Palmeiras, partida em que a nova parceira GSH estreia na operação de alimentação e bebidas do estádio, com expectativa de melhores rendimentos para o São Paulo. A GSH já atua no Allianz Parque e na Arena MRV, e traz experiência em grandes eventos.
A mudança envolve itens como geladeiras, estufas, panelas e fogão, e segue um processo jurídico e administrativo iniciado depois da tentativa frustrada de manutenção do contrato pela FGoal.
conforme informação divulgada pelo Estadão.
Retirada dos equipamentos e prazo não cumprido
O clube havia notificado a FGoal dando 30 dias para a retirada de todo o material, prazo que expirou em 6 de março e não foi cumprido. Diante disso, o São Paulo, acompanhado de um escrevente de cartório, fez um inventário dos bens antes de transferi-los para um galpão de armazenamento.
O material apreendido inclui equipamentos de cozinha e refrigeração, e a intenção do clube é cobrar os custos de remoção e estocagem da fornecedora, adotando medidas para liberar os espaços que serão ocupados pela nova parceira.
Por que a GSH foi escolhida
A escolha da GSH passou por análise de propostas e levou em conta a experiência da empresa em estádios e grandes operações. Além de operar o fornecimento em dias de jogos no Allianz Parque, a GSH também administra restaurantes dentro do estádio, o que pesou na decisão do São Paulo.
A expectativa do clube é obter rendimentos melhores que os percebidos com a FGoal, e implementar mudanças como a padronização de alimentos e bebidas em camarotes, ainda que alguns espaços possam escolher fornecedores próprios.
Contexto jurídico e investigação
A relação entre São Paulo e FGoal se desgastou desde 2023, quando a empresa assumiu a operação de venda de comida e bebida no MorumBis. Em fevereiro, o clube solicitou a rescisão por justa causa após identificar descontos em repasses da FGoal ao clube.
A FGoal afirmou que a gestão tinha ciência dos movimentos, e que os valores se referiam a serviços de TI e fiscais. Antes da rescisão, a empresa entrou na mira da força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, em um inquérito que investiga possíveis desvios relacionados às maquininhas de cartão.
A FGoal existe desde 2019, mas abriu outro CNPJ para atender o São Paulo em 2023, com endereço no MorumBis, segundo a apuração. O primeiro CNPJ, com serviços de marketing, aponta capital de R$ 5 mil, enquanto o segundo, que inclui a operação de venda de comida e bebida, tem capital de R$ 50 mil.
A empresa chegou a mover ação judicial para tentar evitar a rescisão, pedindo R$ 5,18 milhões em lucros projetados até 2029, além de danos morais e materiais, liminar que foi negada pela Justiça. Antes de pedir a extinção da ação, a FGoal trocou de representante legal, e, segundo apurou o Estadão, pretende adotar uma “nova estratégia”.
Impacto para jogos e eventos
A atuação da GSH com o São Paulo será limitada a dias de jogos, e produtoras de shows que alugam o MorumBis poderão optar por outro operador. A FGoal, por exemplo, também prestava serviço à Live Nation em eventos no estádio, e não há impedimento formal para que ela atue em shows, embora seja provável a adoção da empresa que já opera os demais eventos.
Para o torcedor, a expectativa é por oferta mais padronizada e possivelmente maior variedade em dias de jogo, com a promessa de melhor gestão e de receitas maiores para o clube, enquanto o São Paulo conclui a transição operacional e jurídica com a antiga fornecedora.
