Clubes listam 11 pontos críticos, falam em “insatisfação e profunda preocupação”, denunciam “desvalorização institucional da Série B” e pedem transparência imediata
Vinte dias antes da estreia da Série B, 18 clubes filiados à Futebol Forte União, antiga LFU, assinaram um documento coletivo com críticas severas à gestão comercial da liga.
Os dirigentes apontam falta de clareza nas negociações, inconsistência nos repasses, depreciação das cotas e riscos à sustentabilidade financeira dos clubes, e pedem explicações e mudanças urgentes.
O protesto descreve um “descompasso alarmante” entre as promessas iniciais e a prática atual, e reclama de um tratamento que, segundo os signatários, reduz a visibilidade e o valor da competição, conforme informação divulgada pelo Estadão.
O que os clubes reivindicam
No documento, os times elencam 11 “pontos críticos” e afirmam “insatisfação e profunda preocupação” com a condução das negociações comerciais, a gestão dos contratos de transmissão e a governança dos recursos financeiros.
Os dirigentes dizem haver falta de previsibilidade orçamentária e inconsistência no cronograma de repasses, o que compromete planejamento, montagem de elencos e o cumprimento de obrigações trabalhistas e tributárias.
Além disso, os clubes ressaltam a “desvalorização institucional da Série B”, e argumentam que o produto tem torcidas nacionais e alta competitividade, mas está sendo tratado como secundário diante da Série A.
Acusações de conflito de interesses
Os signatários apontam conflito de interesses envolvendo investidores da FFU, a LiveMode e a CazéTV, da qual a empresa de mídia e marketing esportivo é sócia, e dizem que essa parceria “gera dúvidas sobre a imparcialidade das decisões e a real defesa dos interesses coletivos”.
Segundo os clubes, esse arranjo teria contribuído para um desgaste institucional na relação com o Grupo Globo, e levantou questionamentos sobre a equidade nas negociações e na alocação de recursos dentro do bloco.
Impacto esportivo e financeiro
Os dirigentes afirmam que a atual postura da liderança “trata a segunda divisão como um subproduto acessório, falhando em vender a relevância real da competição para o mercado publicitário e de mídia”.
Os clubes consideram que a estratégia levou à depreciação das cotas de transmissão e patrocínio, com valores abaixo do potencial de mercado, e que isso coloca em risco a sustentabilidade da Série B frente ao crescimento do futebol em outros mercados.
O texto é assinado por América-MG, Athletic, Atlético-GO, Avaí, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Goiás, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário-PR, Ponte Preta, Sport e Vila Nova.
Entre os times da Série B, só não assinaram o documento Náutico e São Bernardo, os dois clubes que não pertencem à FFU nem à Libra e optaram por negociar fora do bloco, tendo acertado suas transmissões com a Globo com intermediação da CBF.
Próximos passos e cobranças
Os clubes exigem esclarecimentos públicos sobre os 11 pontos apontados, retificações na gestão dos contratos e maior transparência nos repasses e nas negociações comerciais.
Com a temporada prestes a começar, as equipes pedem que a liga demonstre, com documentos e cronogramas, como pretende assegurar isonomia, previsibilidade financeira e defesa do produto que é a Série B.
