MPSC aponta que frases como “olha a cor de vocês”, “vocês são sujos” e “voltem pra terra de vocês” configuram racismo e xenofobia, ação requer indenização
Uma torcedora do Avaí flagrada proferindo ofensas de cunho racial e regional contra torcedores do Remo durante partida da Série B, no dia 15 de novembro, passou a responder a processo judicial por racismo e xenofobia.
O episódio ocorreu no estádio da Ressacada, em Florianópolis, na 37ª rodada da competição, e foi registrado em vídeo que ganhou repercussão nacional, levando à atuação do Ministério Público de Santa Catarina.
Segundo a denúncia do MPSC, a mulher, identificada como ex-conselheira do Avaí, proferiu expressões como “olha a cor de vocês”, “vocês são sujos”, “vai embora de jegue” e “voltem pra terra de vocês”, condutas que, para o órgão, ultrapassaram a rivalidade esportiva e configuram discurso de ódio, conforme informação divulgada pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Denúncia e pedidos da ação
A Justiça acatou a denúncia do Ministério Público e a mulher virou ré pelos crimes de racismo e xenofobia. A ação judicial solicita, além da condenação criminal, uma indenização de, no mínimo, R$ 30 mil por danos morais coletivos, cujo valor seria destinado ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL).
Posicionamento do MPSC e do promotor
Em nota, o órgão cita que o comportamento extrapolou a rivalidade entre torcidas. “Jádel da Silva Júnior, promotor de Justiça, afirmou que as ações da mulher ultrapassaram os limites da rivalidade esportiva e passaram a configurar um discurso de ódio.” A declaração integra a argumentação que embasa a denúncia.
Repercussão, medidas do clube e consequências
O caso teve grande repercussão, e o Avaí divulgou nota de repúdio e informou que suspendeu a torcedora dos jogos do clube. A mulher também foi demitida do emprego após a divulgação do vídeo, medida citada em apuração sobre o episódio.
Arrependimento e desdobramentos
Após a viralização do vídeo, a torcedora pediu desculpas e afirmou sentir “profundo arrependimento”, dizendo que, no “calor do momento”, usou expressões que não condizem com seus valores, e que assume responsabilidade pelo que foi dito. O processo seguirá agora pela via judicial, com acompanhamento do MPSC e possibilidade de decisão penal e civil.
