Câncer de Mama: Tratamentos Podem Deixar Marcas Duradouras no Coração, Alertam Pesquisadores
A jornada contra o câncer de mama tem evoluído, oferecendo esperança e aumentando a sobrevida das pacientes. No entanto, um estudo recente traz à tona um efeito colateral menos visível, mas de longo prazo, que pode afetar a saúde cardiovascular mesmo anos após o fim das terapias.
Uma pesquisa inovadora, liderada pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), em colaboração com instituições renomadas como o InCor e centros nos Estados Unidos, lança luz sobre disfunções cardíacas que persistem silenciosamente. Essas alterações podem explicar sintomas como fadiga crônica e dificuldade em realizar atividades físicas, mesmo quando os exames convencionais indicam um coração saudável.
Os resultados, publicados no prestigioso Journal of the American Heart Association, são cruciais para a compreensão e o manejo de pacientes que passaram por tratamentos como a doxorrubicina e o trastuzumabe. Conforme informação divulgada pelo IDOR, o estudo buscou desvendar as razões por trás do aumento do risco de doenças cardiovasculares a longo prazo em mulheres submetidas a essas terapias.
Sistema Nervoso em Alerta Constante Afeta Circulação
A pesquisa avaliou 23 mulheres cerca de oito anos após o término do tratamento, comparando-as a um grupo de controle saudável. Utilizando tecnologias de ponta, os cientistas identificaram uma **hiperatividade do sistema nervoso** nas pacientes, com níveis 31% superiores aos do grupo saudável. Esse estado de alerta contínuo impacta diretamente o funcionamento do organismo, mantendo-o em constante tensão.
Essa disfunção neural está diretamente ligada a uma **redução de 26% na capacidade de realizar exercícios físicos**. As pacientes apresentaram também uma rigidez aumentada nos vasos sanguíneos, o que dificulta a circulação do sangue, especialmente durante o esforço físico. Isso demonstra que o tratamento contra o câncer de mama pode deixar sequelas no coração de formas não óbvias.
Sinais de Desgaste Ignorados por Exames Convencionais
Mesmo com a **função de bombeamento do coração preservada**, os exames revelaram sinais de desgaste no organismo. Houve um aumento do estresse oxidativo e alterações no sangue, mudanças essas que não são detectadas pelos exames cardíacos tradicionais. Isso significa que o coração pode parecer normal, mas o corpo está sofrendo um estresse silencioso.
“O que observamos é que, mesmo quando o coração parece normal, há uma disfunção importante no sistema que controla a circulação. Isso ajuda a explicar por que muitas pacientes relatam cansaço persistente anos após o tratamento”, explica Allan Kluser Sales, pesquisador do IDOR. A **fadiga persistente** e a intolerância ao exercício, muitas vezes atribuídas ao sedentarismo, podem ter origem nessas alterações fisiológicas duradouras.
Acompanhamento Cardiovascular Contínuo é Essencial
Os achados reforçam a importância de um **acompanhamento cardiovascular contínuo** para pacientes com histórico de câncer de mama. Especialmente aquelas expostas a terapias com potencial cardiotóxico, como a doxorrubicina e o trastuzumabe, precisam de monitoramento especializado.
Identificar precocemente essas sequelas do tratamento contra o câncer de mama é fundamental para prevenir o desenvolvimento de doenças cardiovasculares mais graves no futuro. A pesquisa abre caminho para novas estratégias de prevenção e tratamento, visando melhorar a qualidade de vida das sobreviventes do câncer de mama.
