Em Belém, Zico afirma que o favoritismo hoje é projeto, elogia manutenção de padrão da França e da Espanha, e alerta sobre fragilidade estrutural na Argentina para a Copa do Mundo de 2026
Faltando menos de 100 dias para a Copa do Mundo de 2026, a conversa sobre quem chega com mais chance ao título ganhou tom mais analítico. Zico, em Belém para o Fórum Norte-Nordeste das Indústrias da Construção, avaliou o cenário global do futebol.
Para o ex-camisa 10, o critério de favoritismo mudou, deixando de ser apenas o peso da camisa, e passando a ser a continuidade e a estrutura de projetos. Ele destacou seleções europeias que mantiveram padrão ao longo do tempo.
As observações foram feitas no evento em Belém, e trazem críticas à situação organizacional do futebol argentino, conforme informação divulgada pelo Jornal Amazônia.
Favoritismo por projeto, não por camisa
Zico explicou que hoje o equilíbrio entre seleções é maior, e que o diferencial costuma vir da manutenção de um projeto esportivo e administrativo. Sobre o cenário geral, ele disse, “Eu acho que o futebol, do jeito que está hoje no mundo, não tem favoritismo nenhum. Está todo mundo quase no mesmo nível. Posso dizer, pelo que a gente acompanha, que talvez a França tenha mantido um padrão ao longo desse tempo todo. Vem de duas Copas com a mesma estrutura“.
Espanha e França, referências de continuidade
Além da França, Zico citou a Espanha como seleção em caminho semelhante, destacando a semelhança de nível entre grandes equipes. Na sua análise, “A Espanha também está nesse caminho, com uma diferença muito pequena para as demais. No entanto, quando chega um confronto entre Brasil e Espanha ou Brasil e França, a história é outra“.
Por que a Argentina ficou de fora da lista
A ausência da Argentina na análise do ídolo chama atenção, porque a seleção vive um ciclo vitorioso. Zico destacou que, apesar do sucesso da equipe, existe um descompasso com o cenário doméstico, marcado por clubes com dificuldades financeiras, disputas internas e infraestrutura defasada.
Esse contraste entre brilho da seleção e fragilidade administrativa dos clubes levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do futebol argentino a longo prazo, e é um ponto observado por quem analisa favoritismo para a Copa do Mundo de 2026.
Brasil, Ancelotti e a busca por estabilidade
Sobre o Brasil, Zico lembrou da recente mudança no comando técnico e apontou otimismo cauteloso com o novo treinador. Ele afirmou, “O Brasil passou por toda uma modificação no comando técnico e agora conta com um dos maiores treinadores da história. Ele sabe aproveitar bem o talento brasileiro. Agora é esperar definir, porque ele tem muito pouco tempo“.
O recado final é que, com menos de 100 dias para a Copa do Mundo de 2026, o sucesso dependerá mais de projetos consistentes, da qualidade das estruturas e da capacidade dos treinadores de consolidar ideias rapidamente, do que apenas do nome das seleções.
